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Pesquisadores instalam transmissores em botos-vermelhos para monitorar saúde e movimentação na Amazônia

Após mortandade recorde em 2023 e 2024, estudo do Instituto Mamirauá busca entender impactos das mudanças climáticas sobre a espécie

Pesquisadores instalam transmissores em botos-vermelhos para monitorar saúde e movimentação na Amazônia
Foto: Miguel Monteiro/Instituto Mamirauá
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Pesquisadores do Instituto Mamirauá capturaram 17 botos-vermelhos (Inia geoffrensis) no Lago Amanã, localizado na Reserva Amanã, no interior do Amazonas. A ação científica, realizada entre os dias 20 de setembro e 2 de outubro, teve como objetivo avaliar a saúde dos animais e acompanhar sua movimentação por satélite. Durante o trabalho, foram coletadas amostras de sangue e mucosas e instalados 12 transmissores capazes de registrar dados sobre profundidade, temperatura da água e deslocamento dos botos.

De acordo com o instituto, a captura envolveu pesquisadores da Associação R3 Animal, National Marine Mammal Foundation, Universidad de Las Palmas de Gran Canaria e Wildlife Conservation Trust, além do apoio de moradores e pescadores locais, que auxiliaram no manejo dos animais. A maioria dos botos capturados é formada por machos adultos, com apenas uma fêmea grávida entre os indivíduos estudados.

O monitoramento contínuo da espécie ocorre após as mortandades registradas durante as severas secas de 2023 e 2024, que causaram a morte de mais de 200 botos em regiões próximas, como o Lago Tefé. Estimativas apontam uma redução de até 15% da população local. Por serem mamíferos de grande porte, de reprodução lenta e vulneráveis a colisões com embarcações e conflitos com pescadores, os botos-vermelhos estão entre as espécies mais ameaçadas da Amazônia.

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Segundo Miriam Marmontel, líder do Grupo de Pesquisa em Mamíferos Aquáticos Amazônicos do Instituto Mamirauá, as coletas e o uso dos transmissores são ferramentas essenciais para compreender a resiliência da população diante de eventos extremos, que devem se tornar mais frequentes com as mudanças climáticas. “Essas informações são fundamentais para avaliar a saúde dos botos e preparar respostas mais rápidas em futuras situações de risco”, destacou a pesquisadora.

Os dados obtidos no Lago Amanã permitirão ações preventivas e estratégias de conservação mais eficazes, contribuindo para a proteção dos botos-vermelhos em seu habitat natural. O estudo reforça o papel do Instituto Mamirauá como uma das principais referências científicas na preservação da fauna aquática amazônica e no monitoramento dos impactos ambientais na região.

FONTE/CRÉDITOS: Texto: Maria Souza
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