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Quarta-feira, 02 de Setembro de 2026
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Projeto ocupa ruas de Manaus e recontará história de pessoas negras na Amazônia

As imagens reinterpretadas serão representadas no mês de setembro, em diversas intervenções pela cidade, que contemplam as Zonas Norte e Leste da capital

Projeto ocupa ruas de Manaus e recontará história de pessoas negras na Amazônia
Divulgação
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MANAUS (AM) - Recontando histórias pretas na Amazônia, o projeto "Direito à Memória - Outras Narrativas" chega a uma nova edição e se ergue como um farol da memória viva na Amazônia. Utilizando-se da arte, da história e da pesquisa, a intervenção urbana resgata e rememora a trajetória de pessoas pretas e indígenas registradas fotograficamente de forma violenta e desrespeitosa, no século XIX. 

A historiadora e pesquisadora Patrícia Melo,  que é referência no estudo da presença negra na Amazônia, atua como suporte historiográfico do projeto. Há décadas, a historiadora realiza um trabalho meticuloso que busca recuperar personagens, sujeitos históricos que são normalmente tratados como pessoas menos importantes pelas narrativas tradicionais. 

A partir desse trabalho, Patrícia vem constituindo um acervo documental com histórias relevantes de dezenas de pessoas de diferentes origens étnicas e sociais e dá visibilidade a esses indivíduos, que são partes estruturantes do processo de investigação. 

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“Essa perspectiva de dar visibilidade para homens e mulheres que normalmente seriam desconsiderados pelas narrativas formais, faz parte do meu processo de trabalho como pesquisadora de história da Amazônia, eu trabalho com história indígena, do indigenismo e também da presença negra na Amazônia, isso, como eu disse, já há mais de três décadas”, contextualiza Patrícia Melo.

Exposição

As pessoas fotografadas, antes reduzidas a meras "coisas", tornam-se protagonistas de suas próprias histórias, com nomes, identidades e sonhos. As imagens reinterpretadas serão representadas no mês de setembro, durante diversas intervenções pela cidade, que contemplam as Zonas Norte e Leste da capital.

O designer Luiz Nascimento, foi o profissional responsável pela  colorização e restauração das fotos. Ele ainda realizou a suavização das expressões fotografadas, trazendo a humanização e a vida dessas pessoas.

A intervenção urbana tem como objetivo provocar reflexões sobre a identidade negra na região e desafiar a narrativa histórica tradicional que ignora ou distorce as contribuições da população afrodescendente.

O público se conectará com essas histórias através de QR codes que liberam áudios narrados com características semelhantes às dos retratados.

Sobre o projeto

Idealizado pela artista visual e diretora artística Keila Sankofa, o projeto transmídia utiliza a força da arte para resgatar e recontar as histórias de personalidades negras que foram silenciadas e apagadas das narrativas oficiais. 

“O Direito à Memória é um projeto artístico que desde 2019 realiza um enfrentamento contra as combinações e projetos de apagamento que se perpetuam sistematicamente, além de propor através da arte em parceria com a história, um olhar ampliado que narra e retifica referências negativas impostas às populações negras e indígenas no território Amazônico”, conta Keila Sankofa.

“Este projeto foi fomentado pelo PROGRAMA FUNARTE RETOMADA 2023 - ARTES VISUAIS”.

FONTE/CRÉDITOS: Com informações da assessoria
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