O ex-policial militar Ronnie Lessa, réu confesso do assassinato da vereadora Marielle Franco, tem demonstrado profundo incômodo com as condições que enfrenta desde que firmou acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal. Segundo relatos de familiares, Lessa acredita ter cumprido sua parte no acordo ao contribuir com informações que levaram à prisão dos irmãos Brazão e de Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio. No entanto, ele agora questiona se a delação valeu a pena.
Desde sua transferência para a Penitenciária 1 (P1) de Tremembé, em São Paulo, Lessa afirma estar isolado em uma cela individual, sem acesso a atividades externas ou convívio com outros detentos. Ele se queixa de viver em uma espécie de “solitária” e compara a atual situação com o período em que esteve no sistema prisional federal, onde podia estudar e participar de cursos. Alega que, apesar das ameaças de facções como o PCC, esperava cumprir pena em condições semelhantes às de um preso comum.
Documentos do Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional (Sifuspesp) apontam que o Primeiro Comando da Capital já teria ordenado sua morte. A ameaça motivou a defesa de Lessa a solicitar ao Supremo Tribunal Federal (STF) sua transferência para outra unidade, em busca de mais segurança. O pavilhão onde ele está detido atualmente abriga integrantes de facções criminosas, aumentando os riscos à sua integridade física.
Em nota oficial, a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) contestou as queixas de Lessa. A pasta afirmou que o ex-policial cumpre pena em cela individual com direito diário a banho de sol em área isolada. Além disso, segundo a SAP, ele tem acesso aos mesmos projetos culturais e segue a mesma rotina dos demais presos da unidade.
Ronnie Lessa foi condenado pelo assassinato de Marielle Franco, ocorrido em 14 de março de 2018, no bairro do Estácio, no Rio de Janeiro. Marielle voltava de um evento na Lapa quando foi morta com 13 tiros disparados por Lessa, que estava no banco de passageiro de um carro dirigido por Élcio de Queiroz. Os disparos também mataram o motorista, Anderson Gomes. O caso teve repercussão internacional e se tornou símbolo da luta por justiça, direitos humanos e contra a violência política no Brasil.

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