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Quinta-feira, 16 de Abril de 2026
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Sem indígenas, pretos e LGBTs, Manaus deve ser comandada por 'hétero topzeira'

Falta de representatividade evidencia distanciamento das pautas plurais, deixando de lado grupos que compõem uma parcela significativa da população manauara

Sem indígenas, pretos e LGBTs, Manaus deve ser comandada por 'hétero topzeira'
Diversa AM
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MANAUS (AM) - A disputa pela Prefeitura de Manaus, em 2024, vem sendo marcada pela ausência de diversidade entre os candidatos. Amom Mandel (Cidadania); Alberto Neto (PL); David Almeida (Avante); Gilberto Vasconcelos (PSTU); Marcelo Ramos (PT); Roberto Cidade (UB) e Wilker Barreto (Mobiliza) compõem a lista dos sete nomes que lançaram candidaturas, e nenhum deles representando explicitamente as populações indígenas, negras ou LGBTQIA+. A falta de representatividade evidencia um distanciamento das pautas de inclusão, deixando de lado grupos que compõem uma parcela significativa da população manauara.  

Entre as opções, há figuras conhecidas do cenário político local, que tentam retornar ou se firmar ao poder, adotando o estilo 'topzera', uma expressão que remete a um comportamento e visual associados ao estereótipo do homem branco, jovem e conservador. A ausência de diversidade nos perfis concorrentes é alarmante, especialmente em uma cidade que carrega uma forte influência cultural indígena e rica mistura étnica e cultural, onde a presença negra e LGBTQIA+ espera por mais representação nas decisões políticas. 

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O Diversa analisou as propostas de gestão dos setes candidatos e destacou que entre os prefeituráveis, apenas Gilberto Vasconcelos possui propostas diretas voltadas para os povos originários, negros e comunidade LGBTQIA+.  

Sobre ações que envolvam implementar políticas públicas exclusivas relacionadas à pauta, o candidato foi o único que aparentou preocupação em criar medidas para assegurar que as vozes e as demandas dessa parcela da população sejam, ao menos, ouvidas. 

 

 

Movimentos e o chamado à inclusão 

Em entrevista ao Diversa, integrantes de movimentos negros, LGBTQIA+, indígenas e mulheres expressam preocupação com a falta de diversidade. Para eles, a ausência de candidatos que refletem a pluralidade de Manaus não só limita o debate político, mas também perpetua a marginalização desses grupos. Os movimentos ressaltam que a política deveria ser um reflexo da sociedade e questionam como uma administração municipal homogênea poderá atender de forma justa às demandas existentes. 

Segundo Vitória Amazonas, do Instituto As Amazonas, a ausência dessas vozes resulta na negligência de processos importantes, perpetuando desigualdades e a falta de proteção adequada para as mulheres e outros grupos, que embora sejam maioria, ainda são minorizados. 

A presença de representantes comprometidos com estas causas, inclusive, das mulheres, nos cargos da prefeitura é crucial para a construção de políticas públicas eficazes e inclusivas. Sem essa representatividade, a sociedade sofre, pois muitas demandas importantes são negligenciadas, resultando em desigualdades persistentes e na falta de proteção adequada. Precisamos de vozes que entendam e defendam nossos direitos, garantindo avanços reais para todas as mulheres”, destacou. 

A jornalista e advogada, mestre em Direito Constitucional e especialista em direitos humanos, Luciana Santos, acrescenta que devido à carência de candidaturas com representatividade, é crucial exigir que os candidatos desenvolvam programas de governo que atendam às pautas dos grupos marginalizados, garantindo que tais políticas sejam elaboradas com a participação ativa desses grupos, e não impostas de forma unilateral. 

Nossa história demonstra que os cargos eletivos, tradicionalmente, pertenceram a uma elite representada pelo sujeito homem, branco, heterossexual e proprietário, que atuou de forma a manter seus privilégios, perpetuando a exclusão de determinados grupos. Quando se fala na maior participação em cargos de poder de grupos vulnerabilizados, é justamente para que se corrija essa exclusão histórica, garantindo a representatividade, pluralismo de ideias / pautas e experiências de vida diversas. Como não temos candidaturas de negros, indígenas e LGBTs para a Prefeitura de Manaus, nesta eleição, é importante que se cobre, dos que estão na disputa, programas de governo comprometidos com as pautas desses segmentos da população”, esclarece.  

Partindo para a realidade LGBTQIA+, o ativista da causa e atuante em visibilidade dessa minoria no esporte, Daniel Coelho, afirma que ter uma verdadeira representação da comunidade LGBTQIA+ na política é essencial para garantir as necessidades da comunidade, e não apenas servir de escada para conseguir votos deste eleitorado. 

“A nossa comunidade precisa de mais instrução e orientação política. Muitas vezes, somos usados como trampolim para outros candidatos que se dizem representantes, mas que na prática não defendem nossos interesses. Por exemplo, já trabalhei com uma candidata que, quando a comunidade LGBTQIA+ precisava de apoio, a igreja católica pressionou e ela não conseguiu se posicionar. Isso demonstra que, quando chega a hora de defender nossas causas, muitas vezes, ficamos desamparados”, lamentou o ativista.  

As lideranças afirmam que a participação efetiva no processo eleitoral e na administração pública é fundamental para a construção de uma sociedade verdadeiramente democrática e inclusiva. Garantir essa participação não apenas reforça o princípio da democracia, mas também promove justiça social, equidade e oportunidade em moldar o futuro da nação de maneira igualitária e significativa 

É o que destaca o líder indígena e procurador jurídico da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari, Eliesio Marubo. Ele entende que a participação dos minorizados no processo eleitoral e na ocupação de cargos públicos é crucial para a realização plena dos direitos garantidos pela Constituição Federal. Proteção constitucional que só se concretiza quando esse grupo tem condições reais de influenciar as decisões políticas.  

Entendo que os minorizados deveriam ter garantida a sua participação no processo de escolha democrática em todos os níveis, para assegurar que a Constituição Federal do Brasil, que já os protege, seja realmente eficaz. Para que essa proteção se concretize, é essencial que tenhamos condições reais de influenciar as decisões políticas e obter resultados sociais efetivos ao nosso favor. A importância da participação destes grupos em cargos eletivos é fundamental para garantir uma sociedade plural, onde todos os segmentos possam contribuir para a construção de políticas sociais justas e equitativas, respeitando a essência da democracia e o princípio do Estado Democrático de Direito”, conclui Marubo.  

O Diversa entrou em contato com os candidatos citados na matéria para abordar o tema destacado na reportagem, mas até a publicação deste conteúdo não houve retorno.  

FONTE/CRÉDITOS: Thai Maria Sousa/Diversa AM
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