A ativista social e liderança indígena Vanda Witoto criticou, na manhã desta segunda-feira (10), a ausência de prefeitos e vereadores do Amazonas na abertura da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizada no Parque da Cidade, em Belém (PA). Segundo ela, a ausência das lideranças políticas amazônicas em um evento de escala mundial enfraquece o debate sobre o futuro das cidades da região diante das mudanças climáticas.
“Está havendo toda essa movimentação maravilhosa, a chegada dos parentes, cidade bem movimentada, mas não vejo nada das autoridades políticas em Belém. Esse evento é uma cúpula de autoridades políticas de mais de 190 países, então é, sobretudo, para nossas autoridades políticas estarem nas negociações, discutindo como o financiamento climático vai chegar em nossos municípios”, declarou Vanda.
A ativista destacou que era papel dos prefeitos e governadores buscar recursos e firmar compromissos que garantam ações de adaptação e mitigação nas cidades da Amazônia. Ela citou o caso de Manaus, que, segundo afirmou, enfrenta uma falta de arborização preocupante, apesar de estar situada “no coração da floresta”. “Como vamos reflorestar as periferias, se Manaus é uma das cidades menos arborizadas? É um absurdo a ausência deles”, criticou.
Mesmo sem a presença expressiva de representantes políticos do Amazonas, Vanda ressaltou a força dos movimentos sociais e indígenas, que se mobilizaram para participar da conferência, enfrentando dificuldades logísticas e financeiras. “Se não fosse por eles, nós não teríamos uma representação aqui em Belém. Muitos estão morando em barcos porque os preços dos hotéis ficaram abusivos”, contou.
Embora a ativista afirme não ter visto autoridades amazonenses no evento, o governo do Amazonas participa da COP30 com uma comitiva liderada pelo secretário de Meio Ambiente, Eduardo Taveira, que declarou à Rede Onda Digital que o Estado “não vai esperar pelos países ricos para agir contra as mudanças climáticas”.
Já o prefeito de Manaus, David Almeida, não confirmou presença na conferência, mas informou que o projeto das ecobarreiras — destinado a conter o lixo nos igarapés da capital — será apresentado durante o evento. A Associação Amazonense dos Municípios (AAM) foi procurada pela reportagem para comentar as críticas, mas não respondeu até o fechamento desta matéria.

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