MANAUS (AM) - O vereador de Manaus e pré-candidato a deputado federal Coronel Rosses (PL) afirmou que as eleições municipais de 2024 na capital amazonense podem ter sido contaminadas por práticas de compra de votos, com base em informações de um relatório da Polícia Federal (PF). As declarações foram feitas pelo parlamentar em suas redes sociais, onde ele citou trechos do documento produzido no âmbito de investigações conduzidas pela corporação.
Segundo Rosses, caso os fatos apontados no relatório sejam confirmados pelas autoridades, o processo eleitoral na cidade teria sido comprometido por práticas irregulares.
“A direita não perdeu as eleições de 2024 em Manaus. Se os fatos apontados no relatório da Polícia Federal forem confirmados, o que houve foi um processo contaminado por práticas que precisam ser investigadas e esclarecidas pela Justiça”, declarou o vereador.
O documento mencionado pelo parlamentar foi elaborado pela Delegacia de Direitos Humanos e Defesa Institucional da Polícia Federal no Amazonas e reúne análises de evidências digitais extraídas de celulares apreendidos durante as investigações.
De acordo com o relatório, a análise de mensagens e áudios identificou tratativas envolvendo lideranças religiosas ligadas à Igreja Pentecostal Unida do Brasil (IPUB). Entre os materiais examinados estão conversas registradas em um grupo de WhatsApp denominado “DED DZFO 23/24”, formado por lideranças religiosas, além de interações individuais com um contato identificado como Gabriel Davi Almeida.
Ainda conforme o documento, o contexto investigativo aponta que ministros, pastores e obreiros teriam sido convocados para uma reunião na véspera do segundo turno das eleições, realizada em 26 de outubro de 2024. As mensagens analisadas indicariam que a participação no encontro estaria associada à assinatura de listas e à manutenção de determinados benefícios.
O relatório também registra a existência de áudios que mencionariam promessa ou entrega de valores em dinheiro, com frases como “o dinheiro estará chegando em poucos minutos”. Há ainda referências à organização de valores em envelopes identificados com nomes de igrejas e pastores, o que, segundo a análise pericial, poderia indicar uma tentativa de direcionamento de recursos.
Outro ponto destacado pelos investigadores é o uso de expressões como “faz me rir” e “bênção”, que aparecem no material analisado em contextos que, de acordo com o relatório, podem estar associados a pagamentos destinados a lideranças religiosas com o objetivo de influenciar votos.
As evidências analisadas também apontam a possibilidade de dois pagamentos relacionados ao processo eleitoral, um durante o primeiro turno e outro no segundo turno. Conforme estimativa presente no relatório, o valor relacionado ao segundo turno poderia chegar a aproximadamente R$ 80 mil.
O documento menciona ainda conversas direcionadas ao contato identificado como Gabriel, nas quais haveria pedidos para envio de “todo o valor” antes de ações de mobilização eleitoral.
Outro ponto citado no relatório é a possível relação de parentesco entre Gabriel e o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), informação que, segundo os investigadores, seria corroborada por registros disponíveis em fontes abertas.
Ao final da análise, a Polícia Federal afirma que os elementos informativos encontrados indicam tratativas relacionadas à entrega e divisão de valores para mobilização eleitoral, além do uso de estatísticas de membros de igreja como base de negociação. Diante desses elementos, o relatório aponta indícios da prática de corrupção eleitoral por meio de compra de votos.
Ao divulgar o conteúdo do documento, Coronel Rosses afirmou que a sociedade precisa ter acesso às informações e defendeu que o caso seja investigado com transparência pelas autoridades competentes.
“Estamos falando de informações que constam em um relatório da Polícia Federal. A população tem o direito de conhecer esses fatos e cobrar que tudo seja investigado com transparência”, disse.
O vereador afirmou ainda que pretende continuar acompanhando o caso e cobrando esclarecimentos sobre os fatos apresentados no relatório.

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