A operação integrada do governo federal para combater o garimpo ilegal e proteger os povos tradicionais na Terra Indígena Yanomami (TIY), em Roraima, já resultou em R$ 477 milhões em apreensões e na destruição de centenas de equipamentos e estruturas utilizadas na exploração criminosa. Coordenada pela Casa Civil e formalizada em fevereiro de 2024, a Casa de Governo reúne dezenas de órgãos federais e contabilizou, até esta segunda-feira (11), 6.425 ações de combate, fiscalização e apoio humanitário. Na semana passada, a Polícia Federal apreendeu 138 quilos de ouro avaliados em R$ 82,2 milhões nas proximidades de Boa Vista.
Desde o início das ações, o índice de áreas de garimpo ilegal na TIY caiu 98%, segundo o governo. Foram destruídos 627 acampamentos, 207 embarcações, 101 balsas, 29 aeronaves, 59 pistas clandestinas, além de inutilizados mais de 112 mil litros de diesel e 12 mil litros de gasolina. Operações-surpresa, como a Asfixia, realizada em junho, somaram mais de 220 horas de voo para localizar e neutralizar pontos de exploração.
A ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, destacou que as ações representam um marco histórico na proteção dos povos Yanomami, Ye’kwana e Sanöma, aliando combate à atividade ilegal com apoio humanitário. “Garantimos saúde, diálogo e segurança para as comunidades, com medidas permanentes construídas junto às lideranças indígenas”, afirmou. O ministro da Casa Civil, Rui Costa, lembrou que o avanço atual se dá após “quatro anos de descaso e omissão” entre 2019 e 2022, período em que a crise humanitária se agravou.
Além da repressão, o governo prepara novas estruturas permanentes para ampliar a presença federal em Roraima, como um polo de saúde em Surucuru, um Centro de Referência em Direitos Humanos e um Centro de Atendimento Integrado à Criança Yanomami e Ye’kwana. Em algumas áreas, o retorno do plantio de culturas tradicionais indica recuperação da segurança alimentar e da autonomia das comunidades.
A ofensiva ocorre após anos de avanço do garimpo, que degradou cerca de 2.400 hectares de floresta até 2020, número que cresceu rapidamente nos anos seguintes. O impacto incluiu aumento de casos de malária, contaminação por mercúrio, insegurança alimentar e violência contra indígenas. Sem fiscalização efetiva, a atividade ilegal evoluiu para um modelo de mineração de médio porte, com infraestrutura consolidada e exploração em larga escala, semelhante ao cenário das décadas de 1980 e 1990, antes da demarcação da TI Yanomami.

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