A Polícia Civil do Amazonas apreendeu nesta terça-feira (15) o segundo adolescente suspeito de envolvimento na morte de Fernando Vilaça da Silva, de 17 anos. O jovem, que é primo do primeiro apreendido na semana passada, prestou depoimento alegando ter agido em legítima defesa. No entanto, a versão foi refutada pelas autoridades, que apontam evidências de agressão intencional contra a vítima.
Fernando foi atacado no dia 3 de julho na rua Três Poderes, zona leste de Manaus, e morreu dois dias depois no hospital, após sofrer graves ferimentos na cabeça. O crime chocou a população e ganhou repercussão por ter, segundo a polícia, motivação homofóbica. Apesar de a família não ter mencionado a orientação sexual de Fernando, a investigação identificou indícios de que a vítima foi alvo de injúrias homofóbicas pouco antes de ser agredida.
De acordo com o delegado-geral adjunto da Polícia Civil do Amazonas, Guilherme Torres, o segundo adolescente afirmou que reagiu a uma suposta agressão iniciada por Fernando e outras duas pessoas. Contudo, as imagens e depoimentos analisados durante a investigação indicam que a agressão foi unilateral e premeditada. “O autor desferiu um chute que derrubou a vítima, que caiu e bateu a cabeça”, explicou Torres.
A queda provocada pelo chute resultou em uma forte pancada na cabeça de Fernando, que sofreu uma convulsão e não resistiu aos ferimentos. Para a Polícia Civil, o ataque não deixou dúvidas de que se tratou de uma ação violenta e deliberada. O crime está sendo tratado como homicídio qualificado por motivo fútil e relacionado ao preconceito por orientação sexual, o que configura um agravante na legislação penal brasileira.
O segundo adolescente apreendido já possuía histórico de agressões e foi encaminhado para a Unidade de Internação Provisória (UIP), onde permanecerá à disposição do Juizado Infracional. Ambos os envolvidos responderão por ato infracional análogo ao crime de homicídio qualificado. A expectativa é de que o processo tenha desdobramentos rápidos, diante da gravidade do caso.
A morte de Fernando Vilaça reacende o debate sobre violência motivada por preconceito no Brasil. “É fundamental que as pessoas respeitem qualquer tipo de orientação sexual, para que situações como essa não se repitam. Uma vida foi ceifada. Uma família perdeu um filho, irmão, sobrinho, primo, que tinha planos e sonhos”, concluiu o delegado. A sociedade agora espera justiça e medidas que impeçam novos casos de violência homofóbica.

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