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Segunda-feira, 11 de Maio de 2026
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CONAQ 30 Anos: A Sentinela dos Territórios e a Vanguarda da Resistência Negra no Brasil

Com mais de 1,3 milhão de quilombolas oficialmente reconhecidos, organização celebra três décadas transformando o suor ancestral em conquistas jurídicas, sociais e climáticas

CONAQ 30 Anos: A Sentinela dos Territórios e a Vanguarda da Resistência Negra no Brasil
(Reprodução/Fundação Perseu Abramo)
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Em maio de 1996, em Bom Jesus da Lapa (BA) no Quilombo Rio das Rãs,  o Brasil testemunhava o nascimento de uma estrutura política sem precedentes. Fruto do amadurecimento das mobilizações iniciadas na Marcha Zumbi dos Palmares, a Coordenação Nacional de Articulação de Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ) surgiu para unificar vozes que, até então, ecoavam isoladas nos rincões do País.

Hoje, ao completar 30 anos, a organização não é apenas um movimento de base; é uma engrenagem sofisticada de incidência política que opera em 24 estados, garantindo que o território seja, acima de tudo, um lugar de vida e dignidade.

Leia abaixo (alguns dos inúmeros motivos) que consolidam a CONAQ como a instituição mais importante para o movimento quilombola brasileiro e por que celebrar sua existência é um ato de defesa da própria democracia.

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(Acervo/Conaq)

 

 

  1. A Reconstrução do Arcabouço Jurídico Brasileiro

A CONAQ provou que a luta pela terra se faz também nos tribunais. A organização foi o motor por trás da defesa do Decreto 4.887/2003, que regulamentou a titulação dos territórios. Sua atuação como amici curiae no Supremo Tribunal Federal (STF) foi decisiva para que, em 2018, a ADI 3239 confirmasse a constitucionalidade do direito à terra quilombola como cláusula pétrea. Sem a CONAQ, milhares de comunidades estariam hoje desprotegidas contra retrocessos legislativos.

  1. A Vitória sobre a Invisibilidade Estatística (Censo IBGE)

Por décadas, o Estado brasileiro governou "no escuro" em relação aos quilombos. Após anos de pressão política e técnica da CONAQ, o Censo 2022 do IBGE incluiu, de forma inédita, o quesito quilombola em seus questionários. O resultado foi histórico: o reconhecimento oficial de 1.327.802 quilombolas. Essa conquista permite, pela primeira vez, a formulação de políticas públicas baseadas em dados reais e não em estimativas.

  1. A Revolução do Cuidado: Educação e Saúde

A organização entende que o território só é pleno se houver acesso a direitos básicos. Através de seu Coletivo de Educação, a CONAQ garantiu as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Escolar Quilombola (2012), combatendo o apagamento cultural nas escolas. Na saúde, a vitória na ADPF 742 durante a pandemia obrigou o governo a criar planos de proteção específicos, salvando vidas em comunidades isoladas.

  1. Protagonismo Feminino como Modelo de Gestão

Diferente de estruturas políticas tradicionais, a CONAQ possui uma espinha dorsal feminina. Com um regimento que assegura 60% de mulheres em sua composição, a organização guarda o nome de guardiãs de saberes como Ester Kalunga, Maria Rosalina, Selma Dealdina, Sandra Braga entre outras figuras importantes para o movimento. Esse modelo de gestão introduziu conceitos como a "economia do cuidado" e o Projeto Cafuné, que oferece proteção emergencial para lideranças ameaçadas, unindo política e afeto.

  1. Diplomacia Quilombola e Justiça Climática

Hoje, a CONAQ é consultora estratégica em fóruns globais. Da ONU às COPs de Mudanças Climáticas, a organização, junto à CITAFRO, elevou o quilombo ao status de sujeito central na preservação da biodiversidade. A mensagem é clara: a titulação de terras quilombolas é uma das estratégias mais eficazes de combate à crise climática global, protegendo os biomas que o Brasil ainda mantém de pé.

Diretora Executiva Ana Toni recebe CONAQ para debater participação dos quilombolaS na COP30
Membros da Conaq em reunião sobre crise climática no Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.
(Acervo/ Conaq)

Resistência 

Em um país marcado pelo racismo estrutural, a CONAQ permanece como o maior escudo e a maior vitrine da resistência negra, provando que o futuro do Brasil passa, necessariamente, pela demarcação dos seus territórios ancestrais e, celebrar os 30 anos da CONAQ, é reconhecer que o Brasil também é quilombola. É honrar o suor de homens e mulheres que, mesmo com pouca estrutura, mudaram a história do Judiciário e da sociedade brasileira.

 

FONTE/CRÉDITOS: Eduardo Figueiredo -DIVERSA
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