DA REDAÇÃO- A União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (UNIVAJA) elegeu, entre os dias 25 e 27 de março, a nova diretoria para o período de 2026 a 2029. A votação ocorreu durante a Assembleia Geral Ordinária realizada no Centro de Treinamento do Quixito, localizado na Terra Indígena Vale do Javari (AM), a segunda maior do Brasil. A Chapa 1, encabeçada por Jaime da Silva Mayuruna, foi a vencedora e assume a gestão da instituição oficialmente nesta quarta-feira, 1º de abril.
A escolha da nova coordenação foi decidida por 66 delegados representantes dos povos da região. A Chapa 1 recebeu 42 votos, superando a Chapa 2, liderada por Manoel Barbosa da Silva Marubo. A nova composição da Univaja conta com o Coordenador: Jaime da Silva Mayuruna; Vice-coordenadora: Rosanete Reis Marubo; Secretário: Pixi Kata Matis e Tesoureiro: Carlos Silva Mayuruna. Além da coordenação executiva, a assembleia também definiu os novos membros dos Conselhos Deliberativo e Fiscal.
Debates e Transparência
Durante os três dias de evento, cerca de 200 pessoas, entre lideranças indígenas, observadores e convidados, acompanharam a prestação de contas da gestão anterior (2023-2026). O encontro foi marcado por debates intensos sobre a proteção do território, o futuro das comunidades e o direito à autodeterminação, permitindo que cada povo manifestasse suas demandas específicas para os próximos anos.
Homenagem e Presença Institucional
A atividade contou ainda com um momento de comoção pela a homenagem ao indigenista e antropólogo Clayton de Souza Rodrigues, falecido no final do ano passado enquanto trabalhava na região do Curuça. O evento reuniu uma rede de apoio nacional e internacional, contando com a presença de representantes de organizações como a COIAB, APIAM, CIMI, e a Fundação Nia Tero, além de pesquisadores de universidades federais e estaduais e lideranças políticas como Vanda Witoto e Marcos Apurinã.
Desafios para a Nova Gestão
A posse de Jaime Mayuruna ocorre em um momento estratégico para a defesa do Vale do Javari. A nova diretoria assume o desafio de dar continuidade às ações de fiscalização territorial e promoção do bem-viver para os povos indígenas da região, mantendo a articulação política necessária frente às pressões externas na Amazônia.

Comentários: