A defesa do ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, afirmou nesta quarta-feira (3), durante o julgamento da suposta trama golpista no Supremo Tribunal Federal (STF), que o militar tinha divergências com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em relação à vacinação. O advogado Matheus Mayer Milanez apresentou uma anotação pessoal do general em que registrava que, em sua visão, Bolsonaro deveria se vacinar, destacando um distanciamento entre ambos.
Segundo o defensor, a tentativa do Ministério Público de apresentar Heleno como um dos principais conselheiros de Bolsonaro não condiz com os registros pessoais do general. “Coloco aqui uma pequena divergência entre o general Heleno e o presidente Bolsonaro: para o general, o presidente tinha de se vacinar. Isso estava em sua caderneta pessoal”, disse Milanez.
A Procuradoria-Geral da República (PGR), no entanto, sustenta que o ex-ministro atuou de forma ativa em prol do então presidente, participando da elaboração de narrativas políticas e anuindo a espionagens ilegais. Para o procurador Gonet, mesmo após a derrota nas eleições de 2022, Heleno permaneceu ligado a uma estrutura que buscava impedir a transição democrática de poder.
Entre os indícios citados pela PGR estão documentos apreendidos na casa de Heleno, incluindo anotações manuscritas que, segundo o órgão, demonstram planejamento e alinhamento ao discurso golpista. O procurador também destacou declarações públicas do general, como a frase “ladrão não sobe a rampa”, vista como demonstração de impunidade e incentivo ao acirramento institucional.
Gonet reforçou que as evidências apontam o envolvimento direto de Heleno nas ações do grupo. “Subsistiu demonstrado que o réu tinha pleno domínio sobre as ações ilícitas do grupo e envidou esforços para impedir a transição democrática de poder”, afirmou.

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