Uma mobilização com mais de 100 indígenas dos povos Munduruku, na manhã desta sexta-feira (14/11), tensionou a chegada de delegações à Blue Zone da COP30, em Belém. O grupo, articulado pelo Movimento Ipereg Ayu, montou um bloqueio no principal acesso ao centro de convenções e forçou a adoção de uma entrada alternativa para chefes de delegação e participantes. Militares das Forças Armadas reforçaram a segurança na área.
Após o ato, representantes Munduruku foram conduzidos para uma reunião com o presidente da conferência, André Corrêa do Lago, e com a ministra dos Povos Indígenas. O movimento reivindica um encontro direto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a revogação do Decreto nº 12.600/2025, que cria o Plano Nacional de Hidrovias e estabelece os rios Tapajós, Madeira e Tocantins como eixos estratégicos para navegação de cargas.
Segundo as lideranças, a medida abre caminho para novas dragagens, para o derrocamento de pedrais considerados sagrados e para a expansão de portos privados nas bacias do Tapajós e Xingu. Os Munduruku afirmam que os impactos ambientais e sociais seriam irreversíveis e que o governo tem avançado em projetos de infraestrutura sem realizar a consulta prévia, livre e informada prevista na Convenção 169 da OIT.
O protesto também criticou iniciativas apresentadas na COP30 que envolvem crédito de carbono e mecanismos REDD+ jurisdicional. Em nota, o Movimento Munduruku Ipereg Ayu argumenta que esses modelos representam uma “venda da floresta”, por retirarem autonomia das comunidades e favorecerem a atuação de intermediários e empresas em áreas indígenas. Para o grupo, tais políticas ignoram fatores que alimentam a crise climática, como o desmatamento industrial, o garimpo ilegal, a expansão da monocultura de soja e a implementação de grandes hidrovias.
A manifestação ocorreu nos arredores da Blue Zone e reforçou a insatisfação de povos da Amazônia com decisões federais que, segundo eles, afetam diretamente seus territórios e modos de vida.

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