Gigantescas colunas de fumaça voltaram a cobrir os céus do município de Apuí, no sul do Amazonas, sinalizando o reinício de uma nova temporada de queimadas ilegais. Vídeos enviados por moradores e ativistas ambientais na última sexta-feira (25) mostram a floresta sendo consumida pelo fogo, em uma escalada de destruição alimentada por grilagem e desmatamento criminoso.
Apesar das operações intensivas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) na região, com multas e embargos a propriedades ilegais, os responsáveis seguem impunes e desafiando o poder público. A impunidade, segundo ambientalistas, é um dos principais motores da destruição contínua da floresta amazônica.
As consequências da fumaça já são sentidas pela população local e devem se estender para outros municípios nos próximos dias, atingindo inclusive a capital, Manaus. Com mais de 2 milhões de habitantes, a cidade pode enfrentar novamente níveis críticos de poluição do ar, colocando em risco a vida de crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias. Em 2023, situações similares elevaram as internações por problemas pulmonares e causaram mortes evitáveis.
O IBAMA reforçou, por meio de nota, seu compromisso com a proteção da floresta, mas alertou que a atuação isolada do órgão é insuficiente. A instituição cobra ações urgentes do Ministério Público, do Judiciário e do Congresso Nacional para coibir os crimes ambientais que se repetem ano após ano no sul do Amazonas.
O caso reacende o debate sobre a aprovação do Projeto de Lei 2159, conhecido como “PL da Devastação”, que flexibiliza o licenciamento ambiental no país. Para especialistas, esse cenário reforça a urgência de se repensar a política ambiental brasileira e retomar o protagonismo na luta pela preservação da Amazônia, vista não apenas como patrimônio nacional, mas como um dos pilares de equilíbrio climático global.

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