MANAUS (AM) - Em pleno Mês do Orgulho LGBTQIAPN+, a história de Luiz Paulo Reis e sua imobiliária "Apê no Centro" mostra como afeto, representatividade e visão de negócio estão revitalizando a forma de viver no Centro Histórico da capital amazonense.
Para muitos, o Centro de Manaus é um lugar de passagem, um cenário de memórias ou um ponto de encontro para a vida boêmia. Para Luiz Paulo, 30 anos, é um lugar de permanência, de afeto e, agora, de realização profissional. À frente do “Apê no Centro”, uma imobiliária física e online focada na região, ele não apenas vende e aluga imóveis, mas compartilha um estilo de vida que aprendeu a amar e que em pleno Mês do Orgulho, ganha um significado especial.
Na semana em que se celebra o Orgulho LGBTQIA+, (lésbicas, gays, bissexuais, pansexuais, transgêneros e/ou travestis) Luiz que se junta aos 55% da comunidade tida como empreendedora, conforme dados do Sebrae deste ano, conta como fez do seu caminho e olhar atento, um instrumento de emancipação.
Há quase quatro anos, o jovem que sempre gostou de contemplar a beleza das casas, apartamentos e decorações históricas, decidiu unir sua paixão de infância ao seu amor pelo Centro da cidade, focando exclusivamente em condomínios e casas na região do Largo de São Sebastião, um dos principais cartões postais, onde mora até hoje. Assim nasceu o “Apê no Centro”, um negócio que, atualmente, também conta com um espaço físico no setor comercial do seu próprio prédio, o Edifício Cidade de Manaus.

Lugar especial
Chamado carinhosamente pelos amigos de “corretor especialista no coração de Manaus”, Luiz trilhou outros caminhos anteriormente, foi professor, trabalhou com vendas e atuou na hotelaria. A virada de chave aconteceu em setembro de 2016, quando ele se mudou para o Centro, muito antes de pensar em ser corretor.
“Vim para o Centro, tanto para os bares, baladas e passear por aqui sempre foi algo interessante para mim”, afirma.
Foi vivendo ali que ele percebeu o potencial do seu endereço. “Lembro que quando as pessoas começaram a visitar meu apartamento, falavam sempre sobre a facilidade que eu tinha de a gente se encontrar, por exemplo, no Largo de São Sebastião, no Bar do Armando. A facilidade de acesso a viver no Centro e acessar esses espaços também queridos por outras pessoas”, recorda.

Mas afinal, quais os benefícios de morar no Centro?
Luiz lista com o brilho nos olhos de quem vive o que vende. “Primeiro pela moradia em si. Os apartamentos têm uma boa metragem, pé direito alto, acústica boa”, explica.
“Eles abrangem uma boa vista ao Teatro Amazonas, ao centro histórico, ao Rio Negro, importantes cartões postais do Estado. Tudo isso engloba o diálogo no meu processo de venda, incluindo o preço, que é mais competitivo quando comparado a outros bairros”.
Ele diz que vende mais que um imóvel; vende uma experiência. “Viver no Centro possibilita um acesso amplo, desde a vida boêmia, restaurantes, lojas diversas, até escolas e hospitais. Vale salientar o turismo latente, a oportunidade de conhecer novas pessoas e também de receber amigos e poder estender essa vivência a eles”.

Fortalecimento pessoal
Conforme dados do Sebrae, a maioria dos LGBTQIA+ “acredita que ter um negócio próprio pode ajudar a comunidade, principalmente através da inspiração e fortalecimento pessoal”.
Dados apontam que são 3,7 milhões de pessoas LGBT que já lideram o próprio negócio no País, o que corresponde a 24% dos 15 milhões de brasileiros com 16 anos ou mais e que se identificam como integrantes desse público. Além disso, outros 11% estão envolvidos na criação de uma empresa e 20% têm intenção de abrir um negócio nos próximos três anos.

Diversidade ocupando espaços
Empreender no coração da cidade, tem ainda um tom especial para Luiz, de acordo com o profissional, ser um corretor abertamente LGBT é também sobre construir pontes e espaços de acolhimento, onde cada cliente se sinta seguro e compreendido.
“Vejo que, com sucesso, consigo trazer um atendimento humanizado enquanto corretor, creio que isso também é um ato de representatividade, mostrando que todos os espaços podem e devem ser ocupados por pessoas diversas".

"Minha paixão por lares não é recente, é um sonho antigo que o tempo se encarregou de amadurecer. Consigo lembrar que desde criança que me interessava por essa questão de imóveis, casas, apartamentos, até mesmo decoração. Ficava vendo sites imobiliários e consegui realizar meu sonho, mas quantas pessoas LGBT não conseguem e têm suas vidas interrompidas antes disso?”, enfatiza o corretor.

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