MANAUS (AM) – O ex-presidente da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Marcelo Augusto Xavier da Silva foi condenado, nesta quarta-feira, 15, pela Justiça Federal do Amazonas, a dez anos de prisão em regime fechado, por denúncias caluniosas contra servidores públicos, lideranças indígenas e um procurador da República.
Além disso, Marcelo perderá o cargo de delegado da Polícia Federal e terá que pagar R$ 50 mil de indenização a cada vítima. A decisão ainda cabe recurso.
A decisão, assinada pelo juiz federal Thadeu José Piragibe Afonso, afirma que Xavier usou a estrutura da Funai e o prestígio do cargo de delegado para perseguir servidores e pressionar pela liberação do Linhão de Tucuruí, uma linha de transmissão de energia de 122 km que liga Roraima ao sistema elétrico nacional e atravessa a Terra Indígena Waimiri Atroari.
Segundo o juiz, Xavier sabia da inocência das vítimas, mas agiu por “motivações ideológicas e retaliatórias”. A perseguição, segundo o texto, “quebrou a confiança construída entre a Funai e o povo Waimiri Atroari”, reavivando memórias da repressão durante a ditadura militar.
Marcelo Xavier também responde a outros processos relacionados ao desmonte da Funai e foi indiciado pela Polícia Federal sob suspeita de homicídio com dolo eventual no caso do assassinato do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips, ocorrido em 2022 no Vale do Javari (AM).

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