BELÉM – Um grupo formado por indígenas e ativistas ambientais invadiu, na noite de segunda-feira (11), a área restrita da COP30, em Belém (PA), forçando a suspensão temporária de parte da programação oficial. O ato, que reuniu dezenas de manifestantes, teve como principal objetivo cobrar maior protagonismo dos povos tradicionais nas decisões sobre políticas climáticas e a defesa da Amazônia, palco simbólico do evento.
Os manifestantes romperam barreiras de segurança e conseguiram acessar a chamada “Blue Zone”, espaço reservado a autoridades, negociadores e representantes das Nações Unidas. Durante o protesto, faixas com frases como “Nossa terra não está à venda” e “Não podemos comer dinheiro” foram erguidas, ecoando críticas ao distanciamento entre os discursos oficiais e as realidades vividas nas comunidades amazônicas. O episódio gerou confronto com a equipe de segurança, que reagiu improvisando barricadas com mesas e cadeiras para conter o avanço do grupo.
Segundo informações não oficiais, dois seguranças ficaram levemente feridos e houve pequenos danos à estrutura do local. Após cerca de 30 minutos de tensão, a situação foi controlada e o acesso ao espaço restabelecido. Nenhum manifestante foi detido. O episódio, no entanto, reacendeu o debate sobre os limites entre o direito ao protesto e a segurança em eventos diplomáticos de grande porte.
A COP30, sediada pela primeira vez na Amazônia, tem sido marcada por discussões sobre justiça climática e preservação ambiental. A invasão expôs, mais uma vez, as tensões históricas entre comunidades tradicionais e os fóruns internacionais sobre o clima, que são frequentemente acusados de excluir as vozes indígenas das decisões estratégicas.
Para líderes indígenas presentes em Belém, o protesto representa um chamado à escuta. “Não queremos apenas ser convidados a falar, queremos decidir o futuro da floresta”, disse uma das manifestantes. O episódio reforça o desafio das negociações da COP30: conciliar diplomacia e urgência ambiental, garantindo espaço real aos povos que vivem e protegem a Amazônia.

Comentários: