Um estudo da Transparência Internacional Brasil, divulgado nesta terça-feira (30), revelou deficiências graves na transparência de informações sobre emendas parlamentares e obras públicas nos estados brasileiros. O levantamento integra o Índice de Transparência e Governança Pública (ITGP) 2025, que analisou critérios de divulgação de dados e mecanismos de controle social.
Segundo o relatório, apenas Acre, Distrito Federal e Minas Gerais disponibilizam informações completas sobre emendas estaduais recebidas e pagas. Quando se trata de obras públicas, o cenário é ainda mais restrito: somente Ceará e Goiás permitem o acompanhamento integral da execução e dos gastos, oferecendo à população ferramentas efetivas de fiscalização.
Para a entidade, o resultado acende um alerta sobre os riscos de má gestão e corrupção. “Diante do aumento expressivo dos recursos destinados às emendas parlamentares e dos riscos de corrupção associados, preocupa que a maioria dos estados ainda não divulgue informações completas sobre o tema. O quadro se repete em obras públicas, onde faltam dados básicos sobre execução e gastos. Garantir transparência nessas áreas é urgente para fortalecer o controle social e proteger o interesse público”, afirmou Renato Morgado, gerente de programas da Transparência Internacional Brasil.
O ITGP 2025 avaliou os estados a partir de 106 critérios de transparência, atribuindo notas de zero a 100. A classificação foi organizada em cinco faixas: “ótimo”, “bom”, “regular”, “ruim” e “péssimo”. A média nacional ficou em 69,8 pontos, considerada “boa” pela metodologia, mas ainda insuficiente diante das lacunas observadas.
O levantamento reforça a importância da ampliação do acesso a dados públicos como ferramenta de cidadania. Especialistas apontam que a transparência ativa em obras e emendas não apenas fortalece a confiança nas instituições, mas também oferece meios para prevenir irregularidades e garantir a correta aplicação dos recursos públicos.


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