Cerca de 50 corpos foram retirados de uma área de mata do Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, por moradores da comunidade, após a operação realizada pelas forças de segurança do estado nessa terça-feira (28). Os corpos foram reunidos na Praça São Lucas e, segundo relatos, não fazem parte da contagem oficial de 64 mortos – sendo 60 suspeitos e 4 policiais. A Polícia Militar foi procurada, mas ainda não se pronunciou sobre as denúncias.
O ativista e morador do complexo, Raul Santiago, transmitiu ao vivo a situação e classificou o episódio como “uma chacina que entra para a história do Rio de Janeiro, do Brasil e marca com muita tristeza a realidade do país”. A pedido dos familiares, os corpos foram expostos para registro da imprensa e, em seguida, cobertos com lençóis. A comunidade aguarda a chegada do Instituto Médico-Legal (IML) para a remoção das vítimas.
Se confirmada a informação de que os corpos encontrados não estão entre as 64 mortes já registradas, o número total de vítimas pode chegar a 120, configurando a operação como a mais letal da história das forças de segurança do Rio. Ainda durante a noite, mais seis corpos foram encontrados em uma área de mata no Complexo do Alemão e levados ao Hospital Getúlio Vargas.
Diante da gravidade da situação, os ministros Rui Costa (Casa Civil) e Ricardo Lewandowski (Justiça e Segurança Pública) marcaram uma reunião de emergência com o governador Cláudio Castro nesta quarta-feira (30). A Operação Contenção, deflagrada nos complexos do Alemão e da Penha, foi classificada pelo governo federal como a mais violenta já realizada no estado.
Rui Costa também autorizou o pedido de transferência de 10 detentos para presídios federais, suspeitos de liderar, de dentro das cadeias, ações que resultaram no caos em diferentes pontos da capital fluminense, incluindo bloqueios de pistas e sequestros de ônibus. Em nota, o governo federal afirmou que não houve qualquer consulta ou solicitação de apoio do governo estadual para a execução da operação, que segue sendo alvo de críticas e de pedidos de investigação por parte de organizações de direitos humanos.

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