Em entrevista concedida nesta segunda-feira (19), o senador Plínio Valério (PSDB-AM) afirmou que não se considera bolsonarista, mas destacou que não vê motivos para criticar o ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Eu não sou bolsonarista, mas não falo mal do Bolsonaro. Isso não me envergonha”, declarou o parlamentar. Plínio tenta se distanciar do rótulo atribuído por adversários, que, segundo ele, tentam reduzir sua vitória ao Senado em 2018 à influência da chamada “onda bolsonarista”.
Com 834.809 votos obtidos naquela eleição — mais de 200 mil a mais que o segundo colocado, Eduardo Braga (MDB) —, Plínio argumenta que sua vitória foi construída por mérito próprio.
Ele afirma ter herdado o “exército invisível” do ex-senador Jefferson Peres, ícone do PSDB amazonense. “Sempre tive minha base. Disputei com Jefferson Peres no passado, e depois que ele saiu de cena, esse apoio veio comigo”, disse.
O senador também confirmou que irá disputar a reeleição em 2026 e já mira adversários como o atual governador Wilson Lima (União Brasil). Plínio aposta em uma retórica de enfrentamento ao Supremo Tribunal Federal (STF), ecoando um discurso que agrada parte do eleitorado conservador. “A pauta da próxima campanha será eleger senadores que enfrentem o Supremo. Ninguém faz isso com mais coragem do que eu”, afirmou.
Ao comentar seu desempenho em 2018, Plínio ressaltou que teve expressiva votação na capital: 635 mil votos apenas em Manaus. Ele acredita que o trabalho com emendas parlamentares no interior pode ampliar esse alcance. “Fizemos um trabalho silencioso, mas consistente. A população vai reconhecer nas urnas”, destacou.
Ele também disse contar com o apoio de figuras bolsonaristas no estado, como o ex-deputado Alberto Neto, que deve disputar uma das cadeiras ao Senado pelo PL.
Por fim, Plínio criticou as pesquisas eleitorais, alegando que os métodos utilizados distorcem a percepção real do eleitorado. “Quando o eleitor é obrigado a escolher dois nomes, quase sempre eu apareço entre eles.
As pesquisas escondem isso”, reclamou. Sem assumir oficialmente a identidade bolsonarista, o senador caminha em sintonia com parte desse eleitorado, construindo uma candidatura que mescla capital político próprio com o apoio de uma base conservadora em crescimento no Amazonas.

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