A profissão de trancista agora é oficialmente reconhecida no Brasil. A inclusão na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), sob o código 5161-65, foi anunciada como uma vitória histórica para milhares de profissionais que atuam com a estética afro-brasileira em todo o país.
O reconhecimento é resultado de anos de mobilização liderados por mulheres negras e por parlamentares como a vereadora Ireuda Silva (Republicanos), de Salvador, uma das principais vozes em defesa da formalização da atividade.
A partir da atualização, trancistas passam a integrar a lista de profissionais dos serviços de embelezamento, ao lado de cabeleireiros, manicures, barbeiros e maquiadores.
A CBO reconhece também outras denominações para a função, como artesão capilar, trançadeiro capilar e profissional das tranças. O avanço representa mais do que uma formalidade burocrática: trata-se do acesso a direitos trabalhistas, políticas públicas e reconhecimento cultural.
“Essa é uma conquista coletiva, construída com muito diálogo, mobilização e, acima de tudo, respeito à cultura e à força de trabalho que as trancistas representam”, declarou Ireuda Silva, que preside a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara Municipal de Salvador.
Para ela, o reconhecimento simboliza o fim de um apagamento histórico. “Me orgulho profundamente de ter liderado esse processo ao lado de mulheres que transformam vidas com as mãos e com sua arte.”
A formalização foi precedida por um trabalho de articulação iniciado em 2023, quando Ireuda se reuniu com o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, para apresentar a demanda da categoria.
A partir do encontro, o ministério iniciou os estudos técnicos que culminaram na oficialização do novo código na CBO. A deputada federal Rogéria Santos também foi citada como peça-chave na articulação junto ao governo federal.
“Essa vitória é das trancistas, das mulheres negras, da cultura afrodescendente e de todos que acreditam na justiça social”, afirmou Ireuda. Ela ressalta que a conquista representa apenas um passo dentro de uma luta maior por reconhecimento, dignidade e oportunidades para profissionais da beleza afro-brasileira, que por muitos anos atuaram à margem da formalidade e das políticas públicas.

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