Entre janeiro e maio de 2024, o Amazonas registrou 418 homicídios, sendo 185 das vítimas jovens entre 18 e 29 anos. O número representa 44,26% do total de mortes violentas no período. A estatística repete o padrão observado em 2023, quando 429 vítimas dessa faixa etária perderam a vida, o que correspondeu a 40,66% dos 1.055 assassinatos registrados naquele ano. Apesar da leve redução percentual, os dados mantêm aceso o alerta sobre o alto risco de morte enfrentado por jovens adultos no estado.
Os cinco primeiros meses de 2025 apontam uma tendência de queda no total de homicídios — foram 218 casos — mas a concentração entre jovens persiste: 96 vítimas tinham entre 18 e 29 anos, o que equivale a 44,03% das mortes. Para especialistas, essa realidade é consequência direta de falhas estruturais, como ausência de políticas públicas eficazes, educação precária e falta de oportunidades para a juventude. O ex-secretário de Segurança Pública, coronel Amadeu Soares, afirma que a negligência do poder público favorece o recrutamento de jovens pelo crime organizado.
Soares defende uma resposta coordenada entre as áreas de segurança, educação, assistência social e trabalho, com foco em formação técnica e inserção no mercado. "O jovem sem perspectivas é capturado pelo tráfico. Para mudar isso, precisamos de um esforço conjunto, com políticas de Estado, não apenas de governo", enfatiza. Ele também aponta que o abandono por parte do Estado abre espaço para a atuação das facções criminosas, que oferecem ao jovem sem alternativas um falso caminho de sobrevivência.
O especialista em segurança pública Hilton Ferreira ressalta que a violência juvenil no Amazonas é agravada pela localização estratégica do estado na rota do tráfico internacional de drogas, próximo à tríplice fronteira. Ele critica a falta de investimentos contínuos e coordenados em inteligência e combate ao crime organizado. "A violência não se resolve só com polícia. Precisa de orçamento, planejamento, integração federativa e prevenção", afirma. Para ele, ações imediatas devem priorizar os jovens em situação de vulnerabilidade e histórico de envolvimento com o crime.
O sociólogo Israel Pinheiro alerta para o perfil das vítimas: em sua maioria, jovens, negros e moradores de periferia. Ele defende a criação de redes públicas de apoio, que integrem saúde, educação, esporte e cultura, além da valorização da vida comunitária como ferramenta de proteção. “A violência é reflexo de desigualdades históricas e estruturais. Enquanto o Estado não investir em inclusão social e justiça, continuaremos perdendo nossa juventude”, conclui. A análise é reforçada pelo também sociólogo Carlos Santiago, que critica a cultura de violência enraizada no país e defende uma mudança profunda na forma como a sociedade trata sua juventude.

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