O rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido como Oruam, teve o cabelo descolorido ao dar entrada no sistema prisional do Rio de Janeiro, em cumprimento a uma norma da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap). A medida, segundo o órgão, é padrão e aplicada a todos os custodiados, independentemente de sua notoriedade ou profissão. O procedimento ocorreu após a Justiça aceitar a denúncia do Ministério Público do Estado (MPRJ), que o tornou réu por tentativa de homicídio contra agentes da Polícia Civil.
O caso teve origem em uma operação policial realizada em julho deste ano, quando Oruam e outros indivíduos teriam arremessado pedras contra os policiais durante uma abordagem. De acordo com a perícia, uma das pedras, de quase 5 quilos, foi lançada de uma altura de aproximadamente 4,5 metros, representando risco real de morte aos agentes envolvidos. A denúncia foi aceita na última terça-feira (29).
Em nota oficial, a defesa do artista contestou a nova acusação e afirmou que ela se soma a uma denúncia anterior, que já o mantinha preso por tráfico de drogas e associação para o tráfico — indiciamentos que, segundo os advogados, haviam sido inicialmente descartados por falta de provas. A assessoria jurídica classificou a nova denúncia como uma “manobra jurídica infundada” e uma tentativa de “criminalização midiática” do rapper.
Os advogados também questionaram a validade da perícia, alegando que não há laudo técnico conclusivo que comprove que a pedra recolhida foi de fato a arremessada pelo acusado. “A acusação insiste em uma narrativa fragilizada, sustentada apenas por testemunhos subjetivos e frágeis”, diz o comunicado. Eles ainda afirmaram que a integridade física dos policiais não foi colocada em risco real, conforme os próprios depoimentos colhidos durante a investigação.
Por fim, a defesa de Oruam denunciou supostos abusos cometidos pelos policiais durante a ação, como agressões físicas, invasão de domicílio e ameaças com armas de fogo. A nota conclui destacando que a equipe jurídica segue confiante na Justiça e na apuração dos fatos, reforçando o compromisso com o devido processo legal e os princípios constitucionais.

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