A Região Norte do Brasil é a campeã nacional em hábito de poupar, mas ainda ocupa as últimas posições quando o assunto é investimento. É o que mostra a 8ª edição da pesquisa Raio X do Investidor Brasileiro, realizada pela ANBIMA em parceria com o instituto Datafolha. Segundo os dados, 40% dos entrevistados nortistas afirmaram guardar dinheiro todos os meses — o maior índice entre todas as regiões do país, bem acima da média nacional de 33%.
No entanto, o comportamento conservador em relação ao uso desses recursos chama atenção. Entre os poupadores da região, apenas 43% afirmam aplicar o dinheiro em algum tipo de investimento. Isso significa que mais da metade dos nortistas que conseguem poupar mantém seus recursos parados — seja em casa, seja em contas-correntes, sem rendimento.
A pesquisa também aponta que o desconhecimento sobre produtos financeiros é um dos principais entraves. Enquanto 29% dos moradores do Sudeste afirmam conhecer os CDBs (Certificados de Depósito Bancário), no Norte esse número cai para apenas 17%. A diferença se repete em outras modalidades, como Tesouro Direto (30% no Sudeste contra 18% no Norte) e fundos de investimento (17% no Sudeste, apenas 9% no Norte).
Curiosamente, mesmo com o baixo nível geral de familiaridade com instrumentos tradicionais, a Região Norte apresenta uma proporção superior à média nacional no uso de criptomoedas: 8% dos entrevistados afirmaram já ter investido nesses ativos, contra 6% no restante do país. O dado sugere uma inclinação ao risco sem o devido embasamento técnico, o que pode representar desafios futuros para esses investidores iniciantes.
Em nível nacional, o levantamento registra um recorde: 33% dos brasileiros afirmaram ter conseguido poupar em 2023, o maior índice desde o início da série histórica. Ainda assim, 57% desse grupo não investem os valores guardados, revelando um vasto potencial inexplorado no mercado financeiro. Para a ANBIMA, os dados reforçam a necessidade urgente de políticas públicas de educação financeira, especialmente nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, onde o acesso a informação e produtos ainda é limitado.

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