O Amazonas foi o estado que mais contribuiu para o desmatamento da Amazônia Legal em abril de 2025, conforme dados divulgados pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) nesta quinta-feira (29). O monitoramento por satélite realizado pelo Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) revelou que o estado perdeu 93 km² de cobertura florestal, respondendo por 40% da área desmatada no mês em toda a região amazônica.
O município de Lábrea, no sul do Amazonas, aparece como o epicentro da destruição, com 32 km² de floresta derrubada. Além de Lábrea, outras três cidades amazonenses figuram entre as dez com maior desmatamento no país. Procurada para comentar os dados e detalhar medidas de combate à devastação, a Secretaria de Meio Ambiente do Estado (Sema-AM) não respondeu até a última atualização desta reportagem.
O número representa um aumento significativo em relação ao mesmo mês do ano passado, quando o Amazonas teve 52 km² de área desmatada — um crescimento de 78% em apenas um ano. No total, a Amazônia Legal perdeu 234 km² de floresta em abril de 2025, um salto de 24% em relação ao mesmo período de 2024. Mato Grosso (38%), Pará (11%) e outros estados do Norte e Centro-Oeste também aparecem com índices elevados de destruição ambiental.
Segundo o Imazon, a maior parte do desmatamento (84%) ocorreu em terras privadas ou com algum tipo de posse irregular. O restante foi registrado em assentamentos rurais (12%), Unidades de Conservação (4%) e Terras Indígenas (menos de 1%). O instituto alerta para o avanço simultâneo da degradação florestal — danos parciais causados por queimadas ou exploração madeireira — que cresceu mais de 329% no último ano, atingindo níveis recordes.
O relatório também aponta uma tendência de alta contínua. Entre agosto de 2024 e março de 2025, o desmatamento acumulado chegou a 2.296 km², frente aos 1.948 km² registrados no mesmo período do ciclo anterior. O avanço da destruição na Amazônia tem sido impulsionado por práticas ilegais e pressão de atividades econômicas predatórias, colocando em risco a biodiversidade, o equilíbrio climático e o modo de vida de populações tradicionais da floresta.

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