O desaparecimento do ativista ambiental Pedro Paulo de Moraes Lima, diretor da ONG Guardiões e Amigos do Parque Ecológico (Gape), tem mobilizado entidades de direitos humanos e reacendido o alerta sobre a insegurança vivida por defensores do meio ambiente em Belém.
Com 61 anos, Pedro Paulo foi visto pela última vez na manhã do dia 6 de maio, após uma série de episódios de agressão, denúncias sobre venda irregular de terras e ameaças diretas à sua integridade física.
Segundo registro feito na Delegacia de Pessoas Desaparecidas pela Comissão de Direitos Humanos da OAB-Pará, Pedro foi agredido no dia 3 de maio por três moradores do Conjunto Bela Vista, área onde atuava como liderança socioambiental.
Um dos agressores, identificado como o advogado Thiago José Souza dos Santos, estaria ligado a um grupo que atua na venda clandestina de áreas de preservação.
De acordo com Flávio Trindade, coordenador do Gape, a agressão estaria diretamente relacionada às denúncias feitas por Pedro contra esse esquema.
Conforme apurado e publicado pela Revista Cenarium, após a agressão, Pedro Paulo chegou a passar mal e foi hospitalizado. Mesmo debilitado, participou de uma reunião do Gape na noite do dia 5, mas recusou-se a participar da tradicional live semanal do grupo.
Na manhã seguinte, um motorista de aplicativo e amigo próximo foi buscá-lo para uma consulta médica, mas o ativista não foi encontrado. Um bilhete deixado na casa, com os dizeres “Estou sendo ameaçado de morte” e assinado por “Paulo Lima”, intensificou a preocupação sobre sua segurança e paradeiro.
A ausência de informações concretas desde então tem gerado angústia entre familiares, colegas e movimentos ambientais. As buscas realizadas em hospitais e centros de perícia não resultaram em nenhuma pista.
A Polícia Científica do Estado esteve no local para perícia, mas ainda não divulgou detalhes da investigação. A Polícia Civil informou que o caso está sendo apurado pela Delegacia de Pessoas Desaparecidas, mas sem avanços públicos até o momento.
Pedro Paulo é uma figura conhecida por sua atuação incisiva na defesa de áreas verdes e na denúncia de irregularidades em processos de ocupação urbana. Seu desaparecimento reforça a vulnerabilidade enfrentada por ativistas na região amazônica, especialmente aqueles que desafiam interesses econômicos ilegais.
Entidades pedem celeridade nas investigações e proteção aos demais integrantes do Gape. Informações que possam contribuir com as investigações podem ser repassadas, com sigilo garantido, pelos números 190, 181 ou (91) 98115-9181.

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