MANAUS (AM) — No ano em que completa uma década de atuação em Manaus, o Maracatu Pedra Encantada chega a Alter do Chão, em Santarém, para integrar a programação do Sairé 2026. O grupo se apresenta nesta segunda-feira, 21, às 20h, no Palco Ludimar Lobato, na Praça do Sairé. A apresentação reúne cortejo, loas, percussão e dança, com o baque virado conduzindo a participação dos batuqueiros. O grupo apresenta também seu novo figurino, criado a partir da técnica de upcycling.
Fundado em 2016 por Erika Tahiane e Marcelo Rosa, o Maracatu Pedra Encantada atua na difusão e formação em maracatu de baque virado. Neste ano, o grupo completa dez anos de trajetória na capital amazonense e mantém uma linhagem direta com a Nação do Maracatu Porto Rico, de Recife (PE).
A relação com Pernambuco teve início nos primeiros anos do coletivo, quando os fundadores viajaram para vivenciar o Carnaval e conheceram as nações Encanto do Pina e Porto Rico. Posteriormente, receberam do Mestre Chacon Viana o convite para que o grupo fosse reconhecido como filho da Nação Porto Rico. A partir dessa relação, o Pedra Encantada passou a fortalecer em Manaus o trabalho com os fundamentos e os toques do maracatu de baque virado.
Além das apresentações, o grupo desenvolve ações de formação por meio de oficinas de baque virado, abertas a pessoas iniciantes e com experiência em percussão. As atividades trabalham instrumentos como tambores, caixas, agbês, atabaque e gonguê, além das loas e dos fundamentos rítmicos que conduzem o cortejo.
Ao longo de sua trajetória, o Pedra Encantada também circulou por espaços culturais, universidades, ruas e eventos públicos de Manaus.

Maracatu amazonense encontra o Sairé
A participação no Sairé amplia a circulação do maracatu produzido em Manaus e cria um encontro entre diferentes expressões da cultura popular em território amazônico. Ao levar seu baque para Alter do Chão, o Pedra Encantada se junta a uma programação que reúne artistas e grupos ligados à cena cultural regional.
Para o grupo, a apresentação também marca um novo deslocamento em uma trajetória construída entre diferentes territórios: a tradição do maracatu de baque virado, os vínculos estabelecidos com Pernambuco e a experiência desenvolvida em Manaus chegam agora ao Pará.

O que é o Sairé?
Realizado em Alter do Chão, distrito de Santarém (PA), o Sairé reúne espiritualidade, ancestralidade indígena, cultura popular e o espetáculo dos botos em uma celebração às margens do rio Tapajós.
Segundo a organização, a tradição surgiu do encontro entre a cultura indígena, relacionada à natureza, à espiritualidade, aos cantos e às danças, e a fé cristã trazida pelos jesuítas durante o século 17. Ao longo de sua história, também incorporou elementos da cultura africana.
A Lei Federal nº 14.997/2024 reconhece oficialmente a Festa do Sairé, realizada em Alter do Chão, como manifestação da cultura nacional. A lei foi sancionada em 15 de outubro de 2024 e publicada no Diário Oficial da União no dia seguinte.
A programação do Sairé também inclui o Festival dos Botos, com apresentações das agremiações Boto Cor de Rosa e Boto Tucuxi. O espetáculo reúne música, dança e artes cênicas no Lago dos Botos e conta com a participação de moradores de Alter do Chão.

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