BRASÍLIA (DF) - O Ministério dos Povos Indígenas (MPI) realizou mais uma etapa do ciclo de ‘Seminários de Política Nacional e Acesso à Justiça para a Juventude Indígena’. Já na 2ª fase, a programação concluída nessa segunda-feira, 30, passou pelo Sudeste e teve como ponto de encontro a Terra Indígena Araribá - Aldeia Tereguá / Avaí (SP).
Somente nessa etapa foram em média, 80 participantes de diversas etnias como Tupi-Guarani, Kaingang, Guarani Mbya, Guarani Nhandewa, Pataxó, Terena e Krenak, além de representantes da Articulação dos Povos Indígenas da Região Sudeste (Arpinsudeste) da Comissão Guarani Yvyrupa.
Até o momento, o evento já reuniu em números gerais, mais de 200 pessoas e segue firme na missão de promover participação e escuta ativa para entender as demandas e construir, com as juventudes indígenas propostas que façam a diferença.

Pontos focais e objetivo
Com discussões que abordam temas centrais como saúde, educação, segurança, sustentabilidade, territórios, cultura e identidade, a programação nacional vai abranger as cinco regiões do País atuando de forma estratégica promovendo a participação social no auxílio do diagnóstico de demandas prioritárias.
Com base na identificação dos principais pontos ao longo das atividades, será elaborado um documento com uma série de propostas e recomendações, visando atender às necessidades específicas dessa parcela da população.
O texto consolidado será apresentado pela Secretaria de Articulação e Promoção de Direitos Indígenas (Seart), do Departamento de Línguas e Memórias Indígenas (Deling) e da Coordenação de Política para a Juventude Indígena (COPJI).

Vozes ativas
Mediadas por facilitadores regionais, as rodas de diálogo permitem o debate aprofundado das pautas e a coleta de dados para a formulação de relatórios regionais. Para Erick Pankararu de 21 anos, que atuou como facilitador do eixo sustentabilidade durante o evento, o espaço ajuda no papel estratégico de formação crítica e incidência política da juventude.
“É um momento interdisciplinar, colaboramos tanto com a informações tradicionais do nosso povo, quanto conhecimentos acadêmicos que trazemos para esses espaços e isso nos fortalece e enriquece enquanto coletivo”, afirma o estudante de ciências biológicas da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), situada em São Paulo.

Para Everton Terena Kaingang, 22, jovem morador da região, o movimento traz a oportunidade necessária para que a juventude seja, de fato, ouvida atentamente e ressalte suas questões prioritárias.
“É uma chance de falarmos diretamente o que queremos e como entendemos a nossa realidade atual. Também vejo como um encontro de vivências distintas, mas que mostram como necessitamos de resoluções tão semelhantes, creio que agora seja a hora de sermos ouvidos”.

Compromisso, incentivo e coletividade
Para além de um Seminário, o encontro também e ponto de inflexão político, cultural e institucional para essa parcela da população, como ressalta o Coordenador Geral de Promoção a Políticas Culturais do MPI, Karkaju Pataxó Cahu Lopes. Para ele, a iniciativa materializa, principalmente, a garantia de uma participação mais efetiva e ativa dos jovens nas discussões e na formulação de políticas públicas.
“Um maior espaço de participação dos jovens nas discussões dessas políticas, trazendo assim o protagonismo da juventude".

A construção coletiva e a troca intergeracional realizadas durante as atividades evidencia é um dos pontos destacados pela coordenadora de Políticas para a Juventude Indígena do MPI, Larissa Pankararu.
“Acreditamos muito nessa caminhada e coletividade. Não temos dúvida que o resultado de todo esse percurso será uma política potente que atenda aos nossos jovens”, finaliza.

Agenda e dinâmica
A programação para a realização dos Seminários segue a seguinte ordem: 1ª etapa – já realizada em Recife, entre os dias 3 e 6 de junho, reunindo lideranças e representantes da juventude indígena do Nordeste; 2ª etapa de 27 a 30 de junho contemplando o Sudeste; 3ª etapa – Centro-Oeste; 4ª etapa – Sul e 5ª etapa – Encerramento na Região Norte com dois encontros finais.
Além dos seminários territoriais, cada um com duração de três dias, o projeto prevê encontros virtuais com coletivos e grupos de jovens indígenas organizados. As reuniões online possibilitarão o compartilhamento de vivências, ampliando a troca de saberes, reflexões e um aprofundamento nos temas debatidos ao longo da jornada.

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