A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, retorna ao Senado na próxima terça-feira (8), às 9h, para apresentar as metas e prioridades de sua pasta para 2025. O convite foi feito pelo senador Fabiano Contarato (PT-ES) ao presidir a Comissão de Meio Ambiente (CMA), alinhado à prática comum do início do ano legislativo. No entanto, o clima que envolve sua visita já está carregado: Marina esteve no Senado em 27 de maio e deixou a sessão após embates acalorados com senadores do Amazonas e Rondônia.
Na ocasião, ela foi alvo de falas hostis por parte dos senadores Plínio Valério (PSDB-AM) e Omar Aziz (PSD-AM), envolvendo a pavimentação da BR‑319 e a concessão de licenças ambientais. Plínio afirmou que “a mulher merece respeito, a ministra não”, enquanto Aziz acusou Marina de “atrapalhar o desenvolvimento do país”. A tensão foi tanta que Marina exigiu pedido de desculpas ou se retiraria — e, sem retratação, deixou a audiência.
O episódio foi classificado como agressão política e misógino por diversas autoridades, incluindo a primeira-dama Janja Lula da Silva, a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, e a ministra das Mulheres, Márcia Lopes. Foram ainda registradas ao menos quatro representações no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar — uma delas, relacionada à sugestão de “enforcar” Marina por parte de Plínio Valério em março.
Agora, Marina retorna ao Congresso com desgaste latente e olhar atento aos parlamentares da região Norte. A expectativa gira em torno do tom de sua exposição e das respostas que dará às críticas. Além de retomar a apresentação das metas de 2025, a ministra deverá reforçar os preparativos para a COP 30, evento que será sediado em Belém, no Pará, no fim deste ano.
O requerimento para sua participação, protocolado em março, foi redimensionado diante do incidente, e a ministra deverá evitar confrontos diretos, mantendo o foco nas prioridades delineadas por Contarato: transparência, ação climática eficaz e proteção da Amazônia. A audiência será, portanto, um teste não apenas de conteúdo, mas de paciência e articulação institucional.

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