Rômulo Alves da Costa, de 42 anos, foi liberado neste domingo (8) após prestar depoimento na Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), em Manaus. Ele foi detido no sábado (7) após empurrar pelas ruas do Centro o corpo do avô, José Pequenino da Costa, de 77 anos, já sem vida, em uma cadeira de rodas.
A cena chocante ocorreu na Avenida Eduardo Ribeiro, onde o neto chegou a pedir dinheiro aos pedestres usando o corpo do idoso.
Segundo a Polícia Civil, as causas da morte de José Pequenino ainda estão sendo apuradas. Um laudo do Instituto Médico Legal (IML) deve ser concluído em até 30 dias. Rômulo afirmou, em depoimento, que havia saído com o avô para tentar realizar um empréstimo bancário e comprar mantimentos para ambos. Alegou ainda estar desempregado e ser o único responsável pelos cuidados com o idoso, o que dificultava a sua inserção no mercado de trabalho.
O delegado adjunto da DEHS, Adanor Porto, informou que o inquérito segue em andamento e que novas testemunhas serão ouvidas nos próximos dias. A polícia também investiga se Rômulo tentou acessar alguma agência bancária com o corpo do avô. Apesar de apresentar feridas, o corpo do idoso pode ter sofrido lesões provocadas por doenças pré-existentes, como hipertensão, diabetes e problemas renais, de acordo com os primeiros dados da perícia.
A família de José Pequenino relatou que não tinha contato com ele desde novembro do ano passado, período em que teria passado a viver sob os cuidados do neto. Um dos filhos informou à polícia que o pai sofria de diversas comorbidades, usava bolsa coletora e exigia cuidados constantes. Ainda não se sabe se havia acompanhamento médico recente ou acesso a algum tipo de assistência social.
Mesmo com a soltura de Rômulo, a Polícia Civil ressaltou que ele ainda pode ser responsabilizado criminalmente, a depender do resultado do laudo pericial. Entre os possíveis crimes investigados estão vilipêndio de cadáver e tentativa de estelionato. A DEHS mantém as apurações para esclarecer se houve dolo nas ações do neto e se outras pessoas podem ter presenciado ou contribuído com o ocorrido.

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