O anúncio feito pelo prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), nesta quinta-feira (1º), sobre a instalação de pedalinhos na Lagoa da Compensa, zona oeste da cidade, provocou uma enxurrada de críticas e piadas nas redes sociais. A proposta de lazer, feita dias após fortes chuvas que deixaram dezenas de famílias com prejuízos no bairro, foi vista como insensível por moradores da região, conhecida pelos recorrentes alagamentos durante o período chuvoso.
"Agora entendi: os pedalinhos são para quando a cidade alagar", ironizou uma internauta, em um dos comentários mais compartilhados. A fala reflete o sentimento de revolta da população, que enfrentou inundações no último domingo (27), quando a água invadiu casas, destruiu móveis e forçou famílias a deixarem suas residências. O episódio gerou protestos na segunda (28) e na terça-feira (29), com moradores exigindo ações emergenciais da Prefeitura.
A Lagoa da Compensa, local onde os pedalinhos estão sendo instalados, fica em uma área crítica do bairro, próxima a igarapés que transbordam com frequência. Por isso, a iniciativa da prefeitura foi encarada como uma afronta por moradores que, há anos, convivem com a falta de infraestrutura, sistema de drenagem deficiente e ausência de políticas públicas eficazes para lidar com as enchentes.
Para os manifestantes, a prioridade do poder público deveria ser resolver os problemas estruturais da região. "Não precisamos de pedalinhos. Precisamos de ruas seguras, casas protegidas da água e um governo que escute o povo", disse um dos moradores durante a manifestação. A crítica generalizada à proposta evidencia a desconexão entre as ações da prefeitura e as necessidades urgentes da comunidade.
Até o momento, a Prefeitura de Manaus não se pronunciou sobre as reações negativas ao anúncio. O episódio, no entanto, já reacende o debate sobre as prioridades da gestão municipal e a histórica negligência com bairros periféricos, como a Compensa, onde o lazer sugerido pela prefeitura contrasta com a luta diária dos moradores para não perderem tudo a cada nova chuva.

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