Policiais militares das Rondas Ostensivas Cândido Mariano (Rocam) realizaram, na tarde de quarta-feira (29), a maior apreensão de ouro já registrada no Amazonas. Ao todo, 72,6 quilos do metal, avaliados em cerca de R$ 46 milhões, foram encontrados em uma casa localizada na rua Michel Fokine, no bairro Parque 10 de Novembro, Zona Centro-Sul de Manaus. Além do ouro, a operação resultou na apreensão de armas, munições, veículos e celulares, e na prisão de seis pessoas, entre elas, dois policiais militares e um policial civil.
Os agentes presos foram identificados como o investigador Felipe Pinto Ferreira, 45 anos, lotado no 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP), e os cabos da Polícia Militar Antônio Temilson de Souza Aguiar, 40, e Gilson Luna de Farias, 37. Segundo informações da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), eles foram detidos em flagrante, suspeitos de extorsão mediante sequestro e cárcere privado. No local, as equipes encontraram quatro pessoas mantidas reféns, que seriam os responsáveis pelo ouro.
De acordo com o comandante da Rocam, tenente-coronel Renan Carvalho, a operação teve início após uma denúncia anônima feita ao número 190, informando que uma família estaria sendo mantida refém em uma residência próxima ao 23º DIP. Ao chegarem ao endereço, os militares foram recebidos pelos policiais suspeitos e notaram um comportamento fora dos padrões operacionais. Durante a verificação, descobriram que os agentes estariam extorquindo os ocupantes da casa.
As investigações apontam que o casal que morava na residência armazenava o carregamento de ouro de origem venezuelana, que estava sendo negociado no momento da abordagem. A Polícia Militar não informou como os policiais presos tiveram acesso às informações sobre o metal. Dois veículos usados no transporte da carga também foram apreendidos — um deles blindado e outro com fundo falso, supostamente adaptado para ocultar o ouro.
Entre o material recolhido estão cinco armas de fogo, sendo uma metralhadora, quatro pistolas, mais de 130 munições, coletes balísticos, algemas, celulares, dinheiro em espécie e os dois carros utilizados na ação. Todo o material foi encaminhado à sede da Polícia Federal em Manaus, que ficará responsável pela investigação principal.
O comandante-geral da Polícia Militar, coronel Klinger Paiva, informou que um inquérito foi instaurado e que a Corregedoria da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas acompanhará o caso. “A instituição não compactua com esse tipo de conduta. Os envolvidos responderão tanto criminalmente quanto administrativamente”, afirmou. A Polícia Federal também deve investigar o possível envolvimento de outros servidores públicos no esquema.

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