A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (22), a Operação Jeremias 22:17, que investiga o envolvimento de policiais civis do Amazonas e de outros estados em um caso de sequestro e tortura registrado no município de Caracaraí, em Roraima. Entre os detidos estão o delegado Adriano Felix e o investigador Álvaro Tiburcio, ambos vinculados à segurança pública do Amazonas. Um terceiro suspeito, identificado apenas como motorista, também foi preso, mas não teve o nome revelado.
De acordo com as investigações, os suspeitos teriam sequestrado e torturado um homem acusado de participar do roubo de uma carga de cassiterita, minério de alto valor no mercado clandestino, com o intuito de obter informações sobre o paradeiro do material. A operação teria contado também com a participação de policiais de Roraima, o que aponta para a existência de um esquema interestadual.
A PF revelou que o grupo investigado atuava não apenas com violência e extorsão, mas também na escolta ilegal de cargas de minério extraídas da Terra Indígena Yanomami (TIY). Além disso, prestavam serviços de segurança privada clandestinos e conduziam investigações paralelas à margem da lei, funcionando como uma milícia disfarçada dentro do aparato oficial de segurança pública.
No total, estão sendo cumpridos 13 mandados de busca e apreensão e 7 de prisão temporária, nos estados do Amazonas, Roraima, Bahia, São Paulo e Rio Grande do Sul. As ordens foram expedidas pela Justiça Estadual de Roraima, com base em investigações iniciadas pela Promotoria de Justiça de Caracaraí, a partir de denúncias recebidas ainda em 2023.
O nome da operação faz referência ao versículo Jeremias 22:17, que denuncia a prática da violência e da opressão com as próprias mãos — uma alusão direta aos abusos cometidos pelos agentes investigados. A Polícia Federal segue com as diligências e não descarta novas prisões à medida que o caso avança.

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