Oi, gente! Depois de um tempo com o Twitter desativado resolvi voltar a escrever. Agora esse será meu novo cantinho de devaneios políticos com vocês 😊
Enfim, chegou meu período preferido a cada biênio: ELEIÇÕES.
Embora eu fale de política todo santo dia que Deus dá, a fase de campanhas eleitorais é ótima pra gente descobrir os instintos mais primitivos que levam o Homo sapiens a fazer as maiores bizarrices pra se eleger.
Confesso que já vi de tudo aqui em Manaus, candidato fingindo assalto em ônibus (inclusive, candidato esse ano de novo, pra variar), candidato que não sabe a diferença entre laranja e mexerica – porque rico adora um limão siciliano – indo às feiras da cidade pra dizer aquelas frases feitas de sempre, “não votem na velha política, parem de colocar os mesmos de sempre, deem chance ao novo”, “esses políticos só roubam vocês”, “bandido bom é bandido morto” (essa última sempre me parece uma confissão indireta). Vi também candidato que nitidamente não tem compromisso com o povo, mas sim com o poder, censurando opositores. Por falar em CENSURA, tem dois queridíssimos aqui que realmente estão caçando jornalistas e cidadãos comuns para tentar calar de todo o jeito.
Olha, Deus está vendo! E eu também!
Quem me conhece há algum tempo já deve ter percebido que eu sou uma crítica ferrenha das estratégias de comunicação que a Esquerda tem ESCOLHIDO (sim, é escolha, não é por falta de dinheiro ou outras desculpas esfarrapadas que dão para justificar a incompetência no trato com o povo). Reitero: ser de esquerda não me impede de enxergar os erros e apontá-los. Esses anos fazendo graduação em Ciência Política, acompanhando eleições e os movimentos feitos tanto pela direita quanto pela esquerda, fizeram-me perceber que NÃO, A ESQUERDA NÃO SABE SE COMUNICAR NAS REDES.
Seus títulos de mestrado e doutorados são maravilhosos (seu Lattes agradece), mas não tem servido para tornar a comunicação mais dinâmica e estratégica. Pelo contrário, eu vejo um retrocesso imenso desde que a esquerda acadêmica se apropriou dos partidos, e isso é nítido em Manaus. Lembro-me de ver vários textões no Twitter que só eram aplaudidos pela bolha das universidades públicas. Sabe onde eu consigo ver o fracasso desses discursos descolados da realidade material do povo manauara? Adivinhem. Pois é. Na eleição (quem poderia imaginar?).
Nos últimos anos, eu tenho visto recorrentemente a Esquerda perdendo lugar nos espaços de poder em Manaus. Isso não é à toa e nem porque Deus quis assim. Em que momento alguém achou que usar discurso academicista para uma população que NÃO ESTÁ dentro da universidade ajudaria nosso lado a ganhar força de expressão?
Eu nem preciso dizer que ganhei uma série de críticas ao começar a apontar esse modus operandi fracassado, mas os resultados das últimas 3 eleições provam meu ponto. Se é pra ser persona non grata pra um grupo de cirandeiros que não enxergam um palmo diante do nariz, não me importo. Estarei aqui para apontar e sugerir caminhos.
Enquanto escrevo esse texto, vi a Seffair (vice de Alberto Neto, de Direita Conservadora, apoiado oficialmente por Bolsonaro) ir nas periferias da cidade, enquanto o Marcelo Ramos (candidato do PT) fazia vídeos dentro de um escritório chique com vários homens ao seu redor. Enquanto eu vi o Cidade (candidato de Direita Liberal, apoiado pelo governador do Estado) indo no Igarapé do Passarinho, o Marcelo estava com Vanda Witoto ou Michelle Andrews em reuniões com a bolha. Não tenho visto propostas relacionadas ao meio ambiente, sobretudo quanto à crise climática, por nenhum candidato. Nem pelo candidato que eu esperava que faria, o Marcelo.
Cadê aquela Esquerda que estava no meio do povo e que cresceu nas lutas populares da classe trabalhadora?
Quem está dominando as redes (que são as novas ruas), as ruas, as periferias, a classe trabalhadora. Não é a Esquerda, é a DIREITA. Os tempos mudaram e a Esquerda segue “deitada eternamente em berço esplêndido”. Eu só consigo enxergar todo mundo perdido e a Direita muito bem articulada, coesa, e falando na linguagem popular, aquela que o povão entende. Aquela linguagem que somente o Lula, na Esquerda, e ninguém mais aprendeu nada.
Estamos na era do digital, mas a rua, aquela rua que a Esquerda um dia já dominou, também é importante. O trabalho de base fica a nosso cargo nas redes e com o povo. O mesmo povo que paga tua bolsa de mestrado/doutorado e que você acha que não deve satisfações de nada, nem ao menos, de explicar teus pontos sem citar Marx a cada vírgula. As pessoas querem comida no prato, segurança pública, uma saúde pública efetiva que os atenda em tempo hábil, emprego, transporte público que funcione.
O povo, o povão mesmo, que é quem te mantém (por meio dos impostos que paga) dentro da universidade se achando o REI DA COCADA, não quer saber de TODES, ELU/DELU, se branco pode ou não ter trança nagô, ou de terceiro banheiro. O povo, o povão mesmo, não quer saber de descriminalização do aborto ou da maconha, nem se a Polícia Militar deve ou não ser desmilitarizada. O trabalhador médio, aquele que passa 3h dentro de busão lotado pelos terminais de Manaus, que ganha um salário mínimo sendo explorado numa escala 6x1, não quer saber o que Losurdo, Beauvoir, Sartre, Engels (e outros teóricos que vocês amam citar pra parecer mais inteligente) tem a dizer. ACORDEM!!
Voltem pra base, voltem para os trabalhadores, voltem pra periferia. Não procurem esses grupos apenas em período eleitoral, como eu tenho visto a Esquerda em peso fazer, inclusive, usando grupos religiosos como massa de manobra, porque nem propostas para essas pessoas vocês não têm (mas isso é papo pra um texto específico que quero fazer). Vocês estão fazendo o mesmo que a Direita fez ao longo das décadas. Quando eu digo pra usar as estratégias da Direita, não é pra usar o povo, é pra usar as redes com inteligência.
E, por fim, política não se faz com coraçãozinho, nem com livro embaixo do braço, na urna eletrônica, muito menos convidando o povo para comer BOULOS (desculpa, não resisti ao trocadilho). NÃO É FALANDO DE AMOR, isso fica para Chico Buarque e Caetano Veloso.
Política se faz com estratégia, trabalhando com os grupos sociais dos quais a Esquerda NUNCA deveria ter se afastado. O povo aqui fora não é o DCE de universidade pública. O público que aplaude e grita o nome de vocês dentro da UFAM não representa a maioria da sociedade manauara. É uma bolha. Venhamos e convenhamos, nem a própria bolha está garantindo vossas candidaturas, vide eleição atual com Vanda Witoto, Michelle Andrews, Gabriel Mota e Anne Moura dividindo o mesmo eleitorado porque não vão além do lugar-comum.
Qual a chance de dar certo tanto para Marcelo Ramos quanto para esses candidatos à vereança? Outubro dirá. Mas eu já sei a resposta. Acho que vocês também.
É isso. Vamos nos falando, amizades...
Tia Sassá.

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