O Amazonas foi um dos cinco estados brasileiros escolhidos para participar da fase piloto do aplicativo Guia Obstétrico, uma iniciativa do Hospital Israelita Albert Einstein em parceria com o programa global MSD para Mães. O projeto tem como objetivo apoiar profissionais da saúde, gestantes e puérperas na redução de complicações e mortes maternas, oferecendo conteúdo educativo e suporte à tomada de decisão clínica. Segundo a coordenadora de Projetos do Einstein, Lívia Pedrilio, o estado foi selecionado por atender critérios técnicos como alta taxa de mortalidade materna e engajamento da Secretaria Estadual de Saúde (SES-AM).
Com previsão de início para novembro de 2025, a fase de implementação terá duração de sete meses. O cronograma inclui um encontro presencial com facilitadores indicados pelas secretarias de saúde estadual e municipais, além de seis sessões virtuais mensais. As atividades terão foco na aplicação prática da ferramenta e mentoria de projetos locais voltados à prevenção de quadros graves, como hemorragias, pré-eclâmpsia e outras condições obstétricas comuns.
Durante o período de teste, os profissionais e pacientes terão acesso à versão inicial do aplicativo, que disponibiliza informações científicas sobre sinais de alerta, diabetes gestacional, depressão pós-parto e cuidados com gestantes em situação de vulnerabilidade, incluindo mulheres LGBTQIAPN+. A ferramenta também funcionará como instrumento de capacitação e atualização para as equipes de saúde da rede pública.
Além da capital, o projeto também contemplará municípios do interior, reconhecendo a complexidade geográfica e logística do estado. “A seleção dos serviços será feita em conjunto com a SES-AM e os municípios participantes, incluindo unidades em cidades mais remotas”, explicou Lívia. Os resultados da fase piloto vão orientar a possível ampliação do uso do aplicativo em outras regiões do Amazonas.
De acordo com o Painel de Monitoramento da Mortalidade Materna, mais de 90% das mortes maternas no Brasil ainda são evitáveis. No Amazonas, a média nos últimos quatro anos supera 75 mortes para cada 100 mil nascidos vivos, mais que o dobro da meta dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. A expectativa, com a implementação da ferramenta, é promover avanços concretos na rede de atenção à saúde da mulher e reduzir os indicadores negativos que ainda marcam o estado.

Comentários: