A Câmara Municipal de Manaus (CMM) rejeitou, nesta segunda-feira (28), um requerimento apresentado pelo vereador Rodrigo Guedes (PP) que solicitava informações da Prefeitura sobre os pagamentos feitos a portais de notícias locais. A proposta tinha como objetivo cobrar da Secretaria Municipal de Comunicação (Semcom) explicações sobre os critérios utilizados para repassar recursos públicos aos veículos de imprensa. A votação terminou com 18 votos contrários, nove favoráveis e 13 ausências.
O pedido surgiu após uma reportagem veiculada na segunda semana de abril revelar que 165 portais de notícias foram beneficiados com verbas da Prefeitura de Manaus. A publicação apontava que muitos desses sites apresentam baixa produção de conteúdo jornalístico e pouca visibilidade, o que levantou dúvidas sobre a legalidade e a moralidade dos critérios de distribuição dos recursos pela gestão do prefeito David Almeida (Avante).
Durante a sessão, Rodrigo Guedes fez duras críticas à falta de transparência no uso do dinheiro público e levantou diversos questionamentos. “Quem recebe? Como recebe? Quanto recebe? De que forma? Qual a modalidade de contratação?”, disparou o vereador, que também afirmou que a maioria dos veículos listados não é conhecida nem mesmo pela população local. “Dos 165 portais, acho que uns 100 nunca ouvi falar. Quem precisa dessas informações é a população”, reforçou.
Para Guedes, a recusa em aprovar o requerimento representa um retrocesso na fiscalização das contas públicas e enfraquece o papel da Câmara como órgão de controle. “O mínimo que a gente pode fazer é dar transparência aos gastos da Prefeitura com comunicação. Isso é dinheiro do povo e precisa ser tratado com responsabilidade”, afirmou.
Apesar da defesa do vereador, a maioria dos parlamentares optou por arquivar o pedido, o que gerou críticas de setores da sociedade que acompanham a atuação da Casa. A ausência de 13 vereadores na votação também chamou atenção e contribuiu para a percepção de resistência em torno da fiscalização dos contratos de mídia. A decisão reacende o debate sobre a transparência no uso dos recursos públicos e o papel do Legislativo municipal diante das práticas do Executivo.

Comentários: