MANAUS (AM) - Dados da plataforma DivulgaCand apontam que, nas eleições municipais de 2024, o Amazonas preserva um cenário de representatividade indígena semelhante ao de 2020, com oito candidatos indígenas concorrendo ao cargo de prefeito, o mesmo número registrado no pleito anterior. Entre eles, cinco disputam a Prefeitura de São Gabriel da Cachoeira, município com significativa população indígena.
Em São Gabriel da Cachoeira, os candidatos indígenas são: Israel Tuyuka (PDT), da etnia Tuyúca; Egmar Curubinha (PT), da etnia Tariana; Hernane Cachorrão (PSB), da etnia Tukano; além de Marivelton Baré (Rede) e Pedro Paulo (Avante), ambos da etnia Baré.
Além de São Gabriel da Cachoeira, outros municípios do Amazonas também possuem candidatos indígenas. Dr. Gil Saraiva (PP), da etnia Kambéba, está concorrendo à Prefeitura de Amaturá. Maria Bonita (PSDB), da etnia Tikúna, busca o cargo de prefeita de Tabatinga. Cleibe Juvinape, conhecida como “Delegada Ju” (PDT), da etnia Kokama, disputa a Prefeitura de Uarini.

A luta continua
Delce Munduruku, ativista do movimento Rede de Mulheres Indígenas Maraguá, Munduruku e Sateré Mawé, comenta a importância da participação indígena nas eleições. “A história dos nossos povos é marcada pelo enfrentamento contra o invasor europeu. Apesar de mais de cinco séculos, a luta persiste. As invasões para explorar nossos recursos naturais e roubar nosso conhecimento continuam. Precisamos usar o processo eleitoral para nos fazer ouvir e ocupar assentos no parlamento,” afirma Munduruku.
Ela destaca que, embora a presença indígena em cargos políticos ainda enfrentE desafios, como a falta de poder decisório real e a desigualdade de recursos, é essencial buscar a visibilidade e o poder executivo. “Estamos enfrentando uma disputa antidemocrática, onde o poder econômico faz a diferença. Mas não podemos desistir,” acrescenta.
Movimento Parente Vota em Parente
Para fortalecer a presença indígena na política e incentivar a comunidade a votar em candidatos indígenas, Munduruku sugere várias estratégias. Entre elas, promover debates e rodas de conversa nas aldeias para discutir a importância de eleger representantes indígenas e divulgar amplamente as candidaturas por meio de redes sociais e rádios comunitárias.
Além disso, ela enfatiza a importância de reforçar o senso de união dentro das comunidades e utilizar lideranças tradicionais e jovens engajados como influenciadores. “Precisamos fortalecer a nossa união e mostrar exemplos concretos de como a representação política pode trazer mudanças reais,” conclui Munduruku.
O objetivo é construir uma base sólida de apoio para as candidaturas indígenas e garantir que as demandas das comunidades sejam efetivamente atendidas. Parcerias e capacitações também são fundamentais para criar estratégias de campanha eficazes e acessar recursos necessários para uma candidatura competitiva.
Essas iniciativas visam garantir que a presença indígena na política não apenas se mantenha, mas também cresça, promovendo uma maior representatividade e inclusão nas esferas de decisão.

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