Estreia de “Eu Vi uma Visagem” emociona em Novo Airão com forte presença indígena e celebração da memória local
Dirigido por cineasta indígena LGBTQIAPN+ e aprovado pela Lei Paulo Gustavo, documentário reafirma potência das produções amazônicas
Por Carolina Costa
Em uma noite marcada por emoção e reconhecimento coletivo, o documentário “Eu Vi uma Visagem” teve sua estreia no último dia 26 de maio, na Fundação Almerinda Malaquias, em Novo Airão (AM). Com direção de um cineasta indígena e LGBTQIAPN+, a produção reafirma a força da criação cultural feita a partir do território — com autoria local, sensibilidade estética e compromisso com a memória da comunidade.
O filme foi realizado com recursos da Lei Paulo Gustavo, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, e é um exemplo do impacto positivo que políticas públicas de fomento podem gerar quando voltadas a artistas da própria região. A aprovação no edital garantiu que saberes, histórias e visagens amazônicas fossem traduzidos com autenticidade por quem vive e sente a floresta.
A exibição contou com a presença de moradores, coletivos culturais, jovens artistas e nomes de destaque como Carina Dessana, multiartista e liderança indígena que tem se destacado na cena contemporânea. A sessão se transformou em um encontro de gerações e territórios, onde o cinema foi ponte entre passado, presente e futuro.
A resposta do público foi imediata e comovente: muitos relataram se reconhecer na tela, emocionados por ver suas histórias contadas com dignidade. Os dados coletados após a sessão reforçam a recepção calorosa: 90,6% avaliaram a criatividade como excelente, 84,4% elogiaram a direção e 81,3% destacaram positivamente a atuação. A ausência de críticas negativas em praticamente todos os quesitos evidencia a potência narrativa do filme.
Com 43,8% de presença indígena no público e significativa participação LGBTQIAPN+ (21,9%), a estreia revelou o alcance plural do documentário. O perfil diverso dos espectadores, somado à grande presença de moradores da zona urbana de Novo Airão (75%), aponta para o sucesso de uma obra que fala com e para a comunidade — sem filtros externos ou estereótipos impostos.
A Fundação Almerinda Malaquias, que acolheu a sessão, reforça seu papel como território cultural vivo e inclusivo. A estreia de “Eu Vi uma Visagem” confirma que investir em produções dirigidas por artistas locais é essencial para a valorização da cultura amazônica e das narrativas que ela carrega.
Mais do que um filme, a obra é um manifesto visual: uma homenagem à oralidade, aos encantados, às memórias silenciadas e aos corpos que resistem. Um lembrete poderoso de que o cinema amazônico, quando feito por mãos e vozes da região, é ferramenta de transformação social e afirmação identitária.

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