O ativista brasileiro Tiago Ávila desembarcou na manhã desta sexta-feira (13) no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, após ser deportado por Israel. Ele foi detido no último domingo (9) durante uma missão humanitária com destino à Faixa de Gaza, a bordo do veleiro “Madleen”, que integrava a Coalizão Flotilha da Liberdade (FFC). A embarcação foi interceptada por militares israelenses no Mar Mediterrâneo, impedindo a entrega de ajuda ao território palestino.
No desembarque, Ávila foi recebido com cartazes, faixas e gritos de apoio por cerca de 40 ativistas pró-Palestina, além de sua esposa, Lara Souza, e da filha. Os manifestantes pediram o rompimento das relações diplomáticas entre Brasil e Israel e criticaram o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Palavras de ordem também cobravam do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) uma postura mais firme diante do conflito no Oriente Médio.
Em entrevista coletiva, Ávila rejeitou ser chamado de herói e declarou que sua atuação foi como aliado da causa palestina. Em tom contundente, acusou o Estado de Israel de praticar uma política de “limpeza étnica” e responsabilizou a ideologia sionista pelas violações contra o povo palestino. “Não tem nada a ver com religião. Tem a ver com ideologia. E esse sionismo precisa ser enfrentado”, afirmou. Ele também chamou Netanyahu de “o maior inimigo do mundo hoje”.
O ativista ainda criticou a atuação da imprensa brasileira em relação ao conflito em Gaza. Em resposta à jornalista Natália Araújo, do Brasil 247, Ávila ressaltou a importância de uma cobertura mais firme sobre os ataques a civis e a morte de profissionais de comunicação no território palestino. “Mais de 200 colegas de vocês foram assassinados em Gaza. É preciso coragem para romper com a pressão econômica e contar a verdade”, afirmou.
A deportação de Tiago Ávila reacendeu debates sobre o bloqueio israelense à Faixa de Gaza e a atuação de organizações internacionais que tentam furar o cerco com ações humanitárias. O episódio também pressiona o governo brasileiro a se posicionar com mais clareza sobre a guerra e a crise humanitária enfrentada pela população palestina.

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