O líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias (RJ), protocolou nesta sexta-feira (22/8) um pedido de prisão preventiva contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em coletiva no Salão Verde da Câmara, o parlamentar afirmou que há risco concreto de fuga do ex-mandatário para a embaixada dos Estados Unidos, em Brasília, a poucos minutos de sua residência.
Segundo o petista, informações já levantadas pela Polícia Federal e apurações complementares feitas pela bancada indicam que Bolsonaro estaria construindo alternativas para evitar o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), previsto para as próximas semanas.
“Não se trata de especulação. Bolsonaro já pediu abrigo na Argentina, já passou dois dias na embaixada da Hungria. Agora, há sinais de que articula um plano para se refugiar na embaixada norte-americana. Seria uma afronta ao Brasil e à Justiça. Por isso, pedimos a prisão preventiva”, afirmou Lindbergh.
O deputado destacou que a medida se apoia em relatórios da Polícia Federal que apontam violações às cautelares impostas pelo STF. Entre elas, o uso de celulares não autorizados e a manutenção de contatos com aliados investigados, como o general Walter Braga Netto.
"Bolsonaro nunca cumpriu de fato a prisão domiciliar. Continuou a coordenar ações, disseminar informações e articular politicamente. Por isso, entendemos que a única forma de impedir novas violações é a prisão preventiva", defendeu.
Democracia em risco
Lindbergh alertou que uma eventual fuga para território diplomático estrangeiro poderia comprometer o processo em andamento no Supremo e gerar consequências graves para o país.
“Seria um desastre se, antes do julgamento, Bolsonaro conseguisse abrigo em uma embaixada. Estaria livre para sabotar as instituições de dentro do território nacional e frustraria a expectativa do povo brasileiro de ver, pela primeira vez, um responsável por atentar contra a democracia sendo julgado e condenado”, disse.
Movimentações financeiras
O pedido também inclui a solicitação de bloqueio das contas de Bolsonaro. O líder petista lembrou que foram identificadas movimentações de R$ 44 milhões, cifra muito superior ao que havia sido informado inicialmente.
"Qualquer outro político que tivesse movimentado esse valor estaria sendo investigado de forma implacável. Por que com Bolsonaro haveria complacência?", questionou.
STF deve decidir
A defesa do ex-presidente tem até a noite desta sexta-feira (22) para apresentar resposta ao ministro Alexandre de Moraes. Lindbergh afirmou esperar que os novos elementos, somados às apurações da Polícia Federal, sejam levados em conta na análise sobre a prisão preventiva.
“As instituições precisam agir com rapidez. Não é teoria da conspiração. Já houve pedido de abrigo na Argentina, já houve estadia na Hungria. Agora, o risco é a embaixada norte-americana. É dever nosso alertar o país”, concluiu.

Comentários: