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Quarta-feira, 22 de Abril de 2026
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Do silêncio ao julgamento: a insistência da sociedade em 'apagar' a bissexualidade

Diferente do que muitos pensam, a bissexualidade não é uma “fase”, uma “confusão” ou “falta de decisão”

Do silêncio ao julgamento: a insistência da sociedade em 'apagar' a bissexualidade
Alexandre Borges no Flickr em CC
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"Eu sou bissexual e eles não sabem disso, eu nunca tive coragem de falar isso pra eles." A frase dita com a voz embargada por Vinicius, participante do BBB 25, durante uma conversa com os colegas de confinamento, escancarou uma realidade que ainda é silenciada: a dificuldade de ser bissexual em uma sociedade que insiste em enxergar apenas duas orientações sexuais. 

O desabafo do brother, que revelou o medo de decepcionar os pais por conta de sua sexualidade, tocou milhares de pessoas que vivem com esse mesmo receio — o de não serem compreendidas nem aceitas por não se encaixarem em categorias que muitos ainda acreditam serem fixas e polarizadas em “gay ou hétero”. 

Vinícius, participante do BBB25 (Internet)

 

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O que é bissexualidade?

Em resumo, a bissexualidade é a atração afetiva e/ou sexual por mais de um gênero. Isso não significa necessariamente que a pessoa se relacione da mesma forma com homens, mulheres ou pessoas não binárias, mas que existe a possibilidade de se sentir atraída por diferentes identidades de gênero.

Mesmo sendo uma orientação sexual legítima e reconhecida por organizações como a Associação Americana de Psicologia e a Organização Mundial da Saúde (OMS), a bissexualidade ainda sofre com a invisibilidade, o apagamento e o preconceito — tanto fora quanto dentro da própria comunidade LGBTQIAPN+.

Bandeira usada para representar as pessoas bissexuais (Internet)

 

“Como se existissem regras sobre como eu devo viver”

Essa pressão social por uma definição rígida afeta diretamente quem se identifica como bissexual. É o caso de Sérgio de Andrade, 30 anos, profissional de comunicação em Manaus. Ele descreve a constante necessidade de validar sua identidade:

“Ser bissexual em Manaus, às vezes, me faz sentir que estou sempre tendo que provar alguma coisa — como se existissem regras sobre como eu devo viver ou me relacionar pra que minha sexualidade seja levada a sério, dentro e fora da comunidade. No trabalho, sou discreto sobre minha vida pessoal, foco no que importa. Mas quando menciono meu último relacionamento, ou falo que fui casado com um homem, vira surpresa. Não me estendo no assunto e sigo. Pra quem é hétero, isso não vira questão. Para nós, quase sempre, vira.

Sérgio de Andrade, 30 anos, profissional de comunicação em Manaus (Arquivo Pessoal)

 

A fala de Sérgio ecoa o sentimento de muitos bissexuais: o de viver em uma zona cinzenta onde sua orientação é colocada em dúvida constantemente. A validação da sua identidade, muitas vezes, depende do tipo de relacionamento em que estão no momento — e que chega a ser injusto e exaustivo.

O peso de “escolher um lado”

Diferente do que muitos pensam, a bissexualidade não é uma “fase”, uma “confusão” ou “falta de decisão”. Mas, por conta de estigmas como esses, muitos bissexuais se veem pressionados a "escolher um lado" para que sua identidade seja levada a sério.

Se estão em um relacionamento hétero, são vistas como heterossexuais. Se estão com alguém do mesmo gênero, são automaticamente lidas como gays ou lésbica e, consequentemente, em nenhum dos casos sua bissexualidade é reconhecida. 

Conforme dados obtidos em 2020 após uma pesquisa feita pela ONG Livre & Iguais do Instituto Brasileiro de Diversidade Sexual (IBDSEX), 17,6% de 8.918 pessoas entrevistadas se apresentaram como bissexuais.

E a constante invalidação gera impactos profundos na saúde mental e no bem-estar dessas pessoas. A sensação de não pertencimento, o medo do julgamento e o apagamento constante fazem com que muitos escolham esconder quem são — seja da família, do trabalho ou da sociedade em geral.

FREEP
Falar sobre bissexualidade é abrir caminho para que ninguém precise esconder quem é por medo de ser rejeitado (Freep)

Medo real de ser quem se é

Não é apenas uma questão de aceitação. Em muitos casos, ser bissexual publicamente pode trazer consequências reais e dolorosas. Em 2021, a atriz Vitória Strada viu sua carreira desacelerar depois de assumir publicamente seu relacionamento com outra mulher. 

Mesmo com talento reconhecido, ela não voltou a protagonizar novelas desde então. Casos como esse revelam um mercado ainda conservador, onde a liberdade afetiva pode custar oportunidades profissionais.

Essa realidade ajuda a explicar por que tantos, como Vinicius, optam por esconder sua sexualidade por anos. O medo de rejeição, de não conseguir trabalho, de perder o afeto da família e de ser rotulado de forma injusta é um fardo pesado — e silencioso.
O gesto de Vinicius, ainda que doloroso, é um ato de coragem. 

Ao dizer em rede nacional que é bissexual, ele contribui para quebrar tabus e abrir espaço para que mais pessoas se sintam seguras para viver sua verdade. Em tempos onde a representatividade ainda é escassa, especialmente para pessoas bissexuais, toda voz conta.

Falar sobre bissexualidade é mais do que levantar uma bandeira: é abrir caminho para um mundo onde ninguém precise esconder quem é por medo de ser rejeitado.

FONTE/CRÉDITOS: Maria Souza/ Diversa AM- Política Diversa
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